É engraçado como algo é tão surpreendente e maravilhoso depois que você não o experimenta há algum tempo. Para coisas maravilhosas. Estou tentando afastar os pensamentos ruins pensando nisso, enquanto escuto uma música que gosto e assisto seu vídeo. Kagerou Days, para lembrança futura. A versão da Majiko. Ver o vídeo me acalma. Ouvir a música me acalma.

Não acho que eu tenha mais de um ano de vida. Nem seis meses, ouso dizer. Não espero que chegue até o meu aniversário, que é em junho. Não sei se espero ou não chegar. Estou cansada de resistir à vontade de suicídio. Seria tão mais fácil me entregar a ela. Ontem li num post (para acalmar suicidas) que "A morte não vai trazer alívio, que é a sensação boa depois da dor". A morte traz o nada, e com o nada, não há dor.

E eu volto a pensar no JP. Eu ainda consigo pensar no seu sorriso quando ele tinha uns dez ou onze anos. Foi meio que um choque quando descobri que ele tinha se suicidado. É terrível pensar que alguém que amei tão intensamente tenha sofrido ao ponto de não aguentar mais a dor. Eu me arrependo um pouco por não ter falado com ele, por nunca ter me declarado. Eu tive tempo e tive oportunidades, mas nunca o fiz. Podia ter feito.

Mas não importa. Não sabemos se eu o teria ajudado. Talvez não mudasse nada, assim como ter tantos amigos me apoiando nunca me deixa melhor em momentos de desespero. A dor bloqueia tudo. Ela é egoísta, e só deixa que eu A sinta, sem que eu me importe com quem se importe comigo ou se importe comigo mesma. Mas como não me matei, talvez ainda me importe um pouquinho. Ainda hesito.

É muito triste não ser aceita como eu sou. É muito triste não poder ser quem você é e tomar suas decisões sem que alguém venha e diga "Isso está errado" ou "Você tem que ser como eu quero que você seja". Eles dizem com outras palavras, claro, mas o que pedem a você é que você negue sua identidade e seja o que eles querem que você seja – e isso não seria você.

Hoje fui ameaçada. "Ou você concorda com isso, ou você não vai morar comigo". Ter algo assim dito por alguém da sua família é doloroso e chocante. Só não fiquei horrorizada porque estava com ódio. É cansativo... E eu já cansei de falar sobre isso.