Olá! esta vai ser a minha primeira história original. Será postada também no Nyah, Anime Spirit e Wattpad. Terá cenas quentes e bem detalhadas de sexo, mas sem cair na vulgaridade.

Espero que gostem. Boa leitura!

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Carolina bateu a porta da sala quando entrou. Adelaide, que estava de costas e sentada na poltrona lendo um livro, virou-se e fitou a filha. Espantou-se com sua aparência. Via-se uma sombra de transtorno no rosto, os longos cabelos pretos e lisos bagunçados; ela ofegava como se estivesse correndo.

- Filha, o que aconteceu? – largou o livro na mesinha da frente, levantou-se, rodeou o assento e caminhou até ela. Segurou-a nos braços – Meu Deus, você está até tremendo! O que você tem?

- Eu... eu tenho que sair, mãe... – Carolina se desvencilhou e desviou o rosto.

- Não, não vou te deixar sair assim! O que aconteceu? – Adelaide arregalou os olhos e viu a bolsa que ela carregava aberta – Meu deus, você foi assaltada?

- Não, mãe... nada. Eu estou bem.

- Claro que não está! Se me lembro... ontem você foi na casa do Fernando. Você passou a noite lá ou foi para outro lugar?

Ao escutar o nome do amigo, Carolina estremeceu.

- Sim... eu passei a noite lá... – ela apertou os olhos e tirou uma mecha do rosto – Mas foi um erro.

- Como assim, Carol? – insistia Adelaide. Sua expressão se anuviou. Seria possível...? – O que ele fez com você?

Não podia acreditar que Fernando fosse capaz de qualquer maldade ou canalhice contra sua filha. Era inconcebível! Quase como imaginar o mundo se convertendo em trevas eternas. Mas era a única explicação plausível.

- Não... mãe... Ele não me fez nada... Pelo menos nada de mal... Fui eu que fiz com ele – Carol parecia atordoada

- O que quer dizer?

- Mãe, pelo amor de Deus! Não me pergunte nada, eu...

O telefone tocou. Carolina se sobressaltou. Adelaida apenas deu uma olhada, mas não deu importância e se voltou para sua filha.

- Filha...

- Eu tenho que sair, mãe... Por favor, juro que estou bem. Não me pergunte mais nada porque nem mesma eu sei.

- Carol...

- Mãe, por favor, me deixe ir.

- Não vou deixar você sair dirigindo. Foi um milagre você não ter sofrido um acidente do jeito que está!

- Não exagere, mãe... Olha, eu chamo um táxi, tá? Mas... eu tenho mesmo que sair.

O telefone continuava chamando.

- Acha que vou deixa-la ir assim? E só Deus sabe pra onde?

- Vou passar o resto do feriado na casa da Magda... Liguei para ela e concordou. Preciso me afastar para pensar numas coisas.

- E não vai me dizer? – Adelaide suspirou. O maldito aparelho tocava – Ai, esse telefone agora...

Fez menção de se virar e atender, mas Carolina segurou seu braço.

- Não atende, pelo amor de Deus!

- Carolina... você está me assustando!

- Desculpe, mãe... –soltou o braço de Adelaide – Olhe, mãe, só... só...

O telefone parou de tocar e caiu na secretária eletrônica. A voz de Fernando se fez ouvir alta e preocupada.

- Carol... você está aí? Adelaide... Alguém? Por favor, Carolina se estiver aí, fale comigo... Estou te ligado no seu celular, mas você não me atende. Precisamos conversar sobre o que aconteceu. – suspirou – Eu estou bravo com você, mas entendo sua reação. Ou pelo menos estou tentando. Mas você não devia ter saído assim... Me ligue agora se você tiver chegado. Ou irei até ai falar com você.

A mensagem acabou.

- Está vendo? É por isso que tenho que ir – Carol falou apressada – Ele vai vir aqui... e não quero que me encontre. Tenho que ir.

- Pelo amor de Deus, Carolina! – Adelaide a segurou mais uma vez – Não vou deixar você sair daqui até que me diga o que aconteceu entre vocês!

- Não aconteceu nada, mãe! – Carol elevou o tom sem se importar – Me deixe ir!

- O que o Fernando fez com você?

- A gente transou! – ela gritou exasperada.

Adelaide recuou um pouco o rosto como se tivesse levado um choque. Carol abaixou o rosto e tapou-o com a mão. Durante alguns segundos, tudo o que ouviam eram suas respirações até que a mais velha das mulheres balbuciou:

- Como? Você... e o Fernando?

- É, isso que você ouviu. A gente... passou a noite juntos – ela usou o eufemismo ao repetir o fato – Aconteceu...

- Mas como, filha? Você... ele... Quer dizer, da parte dele, até entendo... mas você... não tem nem uma semana que...

- Como assim da parte dele? – Carolina interrompeu a mãe e encarou-a com surpresa – Está querendo dizer...?

- Sempre me perguntei como você nunca notou até hoje, Carolina. – ela balançou a cabeça – Logo você... quando é visível para qualquer um.

- Olha, eu... eu não posso aceitar isso agora... não tenho cabeça para processar isso...

- Filha...

- Mãe, eu não posso e nem quero falar disso! – ela estendeu os braços para o lado pedindo tempo e foi se afastando de costas – É absurdo demais! Como você mesma ia dizer, não tem nem uma semana que eu terminei com o Alex... e Fernando sempre foi como um irmão para mim... e eu achava que ele me considerava assim. – virou-se antes que sua mãe lhe dissesse qualquer outra coisa – Vou pegar umas coisas e ir pra casa da Magda.

- Carolina! Carolina! – Adelaide a chamou, mas foi inútil. Ela saiu e correu subindo as escadas.

Quando chegou no quarto, rapidamente começou a catar uma ou outra peça de roupa dentro de sua bolsa. Não ia levar muita coisa mesmo porque só ia passar um fim de semana. Tentava bloquear os pensamentos, mas estes vinham com força redobrada como se quisessem se vingar por ela ignorá-los.

Até que não aguentou e precisou se sentar na cama para se recompor. Os fragmentos da noite passada lhe vinham constantemente.

A bebida... a conversa... o olhar ardente dele... o beijo... as roupas sendo tiradas... as carícias... cada parte dela sendo tocada por ele com fervor e ternura... O orgasmo, ou melhor, "os orgasmos". A declaração de amor.

Seu corpo ferveu só de lembrar as sensações inesquecíveis, ela até mordeu os lábios e apertou os lençóis com força... mas imediatamente sua parte racional as rejeitou e fê-la despertar como num estalo.

Não! Não podia ser! Era quase um sacrilégio!

E Fernando não a amava, estava apenas confuso, tal como ela. O que a mãe havia dito há pouco... não procedia. Era da cabeça dela. Ela e a mãe de Fernando sempre brincavam que algum dia poderiam se tornar comadres e as duas famílias se tornarem mais próximas. Mas era só um desejo de duas amigas que eram mães, nada mais.

Carolina decidiu ignorar mais uma vez seus pensamentos e retomou sua tarefa de encher a bolsa grande com toalha e chinelos (alguns acessórios, como escova de dentes, pente, etc., já dentro). Assim que terminou, apanhou o celular da bolsa e fingiu não ver o número de chamadas perdidas bem como as mensagens de voz de certo número que conhecia de cor. Discou outro número.

- Alô? Por favor... será que poderiam mandar um táxi?

Informou o endereço, desligou o aparelho (pensou até em deixa-lo em casa, afinal, para que leva-lo se pretendia evitar as chamadas de Fernando ou mesmo de Amanda quando ela soubesse? Mas mudou de ideia) e guardou-o na bolsa outra vez.

Desceu as escadas e passou pela sala. Sua mãe estava sentada na mesma poltrona e a aguardava com as mãos cruzadas.

- Mãe, já vou. – anunciou – Avise o pai quando ele chegar que estou na Magda. Já chamei um táxi.

- Carol... – sua mãe se levantou para tentar conversar, mas sua filha se esquivou

- E por favor, não conte para o Fê onde fui e nem para a Amanda.

- Filha, por favor... Se não quer nada com o Fernando, tudo bem, mas não fuja assim. Só está adiando uma conversa com ele.

- Mãe, chega. – ela suspirou para conter a irritação – Me deixe fazer as coisas do meu jeito.

Adelaide a olhou com consternação.

- Eu vou agora. Te ligo ainda hoje. Pode ser?

- Pode – Adelaide suspirou mais relaxada e aproximou-se da filha. Beijou-a no rosto e depois o pegou, encarando firme o olhar de Carolina – Mas reflita sobre sua atitude com ele. Você vai magoá-lo muito mais se se afastar ao invés de ser sincera. A despeito de qualquer decisão sua, não deixe que a amizade de vocês se rompa.

Carolina não retrucou. Limitou-se a beijar sua mãe na face.

Mas não deixou de pensar no que sua mãe acabava de lhe dizer. Exatamente por não querer romper sua amizade de longa data com Fernando é que precisava fugir temporariamente dele.

Afinal, ele era e sempre seria seu melhor amigo.

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Gostaram? No próximo capítulo vamos voltar no tempo. E não se preocupem, esta noite deles será narrada mais adiante assim como outras cenas, rsrsrs.

Me mandem reviews. Até a próxima!