Espero que gostem! Ficou um pouco curtinho, mas repleto de lindas cenas entre esses dois e a família

Boa leitura!

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Amanhecer ao lado do namorado era a melhor coisa do mundo. Era o que Carolina pensava enquanto contemplava a face tranquila e sonolenta de Fernando.

Suspirou. Ele era tão lindo! Dava até pena despertá-lo. Mas como havia prometido a ele – e refirmado na noite anterior antes de dormir e após as horas quentes em que fizeram amor – , resolveu cumprir.

Começou a alisar o rosto dele para acordá-lo aos poucos. Ele não se mexeu muito, apenas sorriu. Em seguida, Carolina, passou a mão em seus cachos loiros e meio bagunçados. Fernando grunhiu, mas não se remexeu.

— Acorde, preguiçoso – sussurrou Carolina e começou a dar beijinhos por toda sua face – Vamos… que já está tarde.

— Hum… Vem cá, minha morena – agarrou Carolina e virou-se por cima dela, fazendo-a rir – Bom dia… - disse com voz preguiçosa.

— Bom dia, dorminhoco – ela terminou de rir – Sai de cima que temos que levantar.

— Temos mesmo? - ele abriu os olhos pela metade, mas ostentava uma expressão maliciosa – É domingo, Carol – começou a beijá-la a partir do rosto e foi descendo lentamente até o pescoço. Carolina estremeceu – Podemos ficar aqui o dia inteiro. Dormir, fazer amor, comer, fazer amor, ver TV, fazer amor e…

— Não, senhor – ela o empurrou levemente e afastou-o de si – Está se esquecendo de que temos um almoço marcado com seus pais hoje? - ele contraiu o rosto numa careta – Pois é, já está tarde, é melhor nos arrumarmos. Não quero me atrasar.

— Ah, para quê que eu fui marcar esse almoço logo hoje? – revirou os olhos enquanto observava Carolina se sentar na beira da cama – Meu primeiro domingo com minha namorada… Devia ter deixado para a semana que vem.

— É, mas agora não tem como voltar atrás. - Carolina se pôs de pé e começou a catar as roupas. Botou-as em cima da cama – E eu não vou fazer feio com seus pais, principalmente com a Sofia.

— Nem em mil anos, você conseguiria fazer feio com eles, Carol – olhou-a malicioso de cima a baixo – Não com seu rosto lindo e esse corpão todo.

— Há-há, muito engraçadinho – ela se dirigiu ao banheiro – Vou tomar um banho rápido antes de você. Enquanto isso, trate de se adiantar e fazer o café.

— Xi, você tá parecendo a Amanda… Mandona!

— Deixa de ser chato – riu e jogou-lhe em cima uma camisa dele – Levanta daí.

Carolina entrou no banheiro. Em poucos minutos, Fernando escutou o barulho do chuveiro. Sorriu. Levantou-se de uma vez e juntou-se à namorada.

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Em outra parte de Belo Horizonte, bairro Mangabeiras, no escritório de sua mansão, Alex analisava várias fotos do detetive que havia contratado. Ele lhe enviou tanto por e-mail como por whatsapp logo nas primeiras horas daquela manhã.

O rosto do empresário, uma máscara de indiferença, não expressava a fúria que o dominava por dentro. Eram fotos de Carolina com Fernando, os dois saindo da casa dos pais dela. Beijavam-se antes de entrarem no carro do loiro; em seguida, dirigiram-se à festa de aniversário que ela devia fotografar e saíram do evento aos beijos e em clima de brincadeira; por último, o carro entrando no edifício do apartamento de Fernando.

— Ela não saiu mais. Nem com ele e nem sozinha. - acrescentava uma mensagem do detetive – Fiquei até meia-noite e permaneceram no edifício.

A expressão de indiferença de Alex não durou muito. Logo se contraiu numa careta de fúria. Ele arremessou o smartphone contra a parede, sem se importar em estilhaçar o aparelho e também derrubou seu computador última geração no chão.

Levantou-se trêmulo de raiva e começou a derrubar e a quebrar todos os objetos e móveis que se encontravam no gabinete.

Duas empregadas da casa acorreram assustadas com o barulho e entraram ali.

— Seu Alex! – uma delas chamou em tom chocado ao ver o patrão destruir o recinto – Mas o quê...?

— Saiam daqui! Me deixem sozinho!

Não precisou pedir duas vezes. A expressão assassina do homem as afugentou.

Ele quebrou tudo o que havia até se sentir esgotado. Caiu sentado no chão como um derrotado e colocou a mão no rosto para conter o choro. Em seguida, deu um murro na escrivaninha ao lado.

— Vagabunda! Mentirosa! Piranha! - esbravejou

Escondeu o rosto entre as mãos e chorou. Havia sido traído desde o começo!

Carolina bancou a santa e a ofendida por tê-lo pego em flagrante com a secretária, mas o enganava desde o início com o miserável do Fernando, a quem jurava que era apenas um amigo.

Nunca se enganou com aquele tipo! Desde o início, percebeu que ele desejava e queria Carolina para si. Mas nunca imaginou que já estivessem juntos e ela conseguisse enganá-lo.

Os dois deviam ter dado boas risadas de sua cara! Mas quem rir por último, ri melhor. Eles iam lhe pagar com lágrimas de sangue!

E Carolina… Carolina ia ser sua novamente, só para fazer da vida dela um verdadeiro inferno!

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Fernando e Carolina desceram do carro; ele com um sorriso de orelha a orelha; ela, com expressão preocupada, olhava toda hora para o relógio.

— Calma, Carolina, estamos apenas com dez minutos de atraso – disse ele e segurou-a pela cintura enquanto caminhavam até o portão da casa dos pais dele – Quinze minutos é o tempo de tolerância.

— Ai, mas eu não gosto de atrasos, Nando – ela tocou a campainha e esperou – E sei que a Sofia também não. - virou-se para ele e o fuzilou com os olhos – Não sei como me deixei convencer por você a fazer amor no chuveiro duas vezes.

— Oh, Carolina, não fui eu quem te convenci. Foram meus dedos, minhas mãos, minha boca e minha língua. - esboçou um sorriso descarado

— Para, seu pervertido! – ela quase riu, mas se segurou. A situação era séria, em sua opinião. - E não faça essa cara.

— Que cara?

— Cara de quem estava fazendo sexo.

— Mas eu estava fazendo sexo – retrucou com cinismo – Ou melhor, nós estávamos.

— Para! - ela lhe deu um tapa no ombro. Ele riu.

Logo se escutou o barulho do interfone.

— Quem é? - era a voz de Teresa

— Sou eu, Terê – respondeu Fernando. Era assim que chamava carinhosamente a empregada da família desde quando era criança – Minha namorada e eu.

— Ah, Nandinho! – retrucou num tom caloroso – Estão todos esperando. Entrem!

Um clic no portão o abriu.

— Deus, Nando, você escutou? - tornou Carolina – Estão todos aí! Meus pais também!

— Calma, Carol, relaxa. - ele se segurava para não rir diante da expressão apavorada da namorada – Seus pais já sabem do nosso namoro… e a Amanda. Vai dar tudo certo. - abriu o portão e estendeu o braço num gesto convidativo – Vamos entrar?

Sem dizer nada, Carolina entrou, Fernando, em seguida. Deram-se as mãos e caminharam juntos até a porta. Antes que a tocassem, Teresa havia aberto. A princípio, sua expressão foi de estranheza ao ver apenas os dois, mas logo o rosto se iluminou ao notar suas mãos entrelaçadas.

— Oi, Terê, como vai? - indagou ele ao se aproximar. Abraçou a velha senhora – Sei que já te falei, mas… não sabe como você me faz falta.

— Sei, seu tratante. - ela o fitou com expressão de descrença – Eu… ou minha comida?

— As duas – admitiu aos risos. Indicou Carolina ao seu lado – Bem… eis Carolina, minha namorada, dispensa apresentações.

— Er… oi, Teresa. - ela abraçou a velha senhora um pouco sem graça, apesar de conhecê-la desde menina e praticamente ser presença constante na casa

— Oh, minha menina, eu sabia que mais cedo ou mais tarde você ia se entender com meu Nandinho! – Teresa a abraçou com ternura e calor. Separaram-se – Desde quando vocês estão juntos? Não deve ter muito tempo, não é? Se me lembro, Carol, tem poucos dias que você terminou seu namoro com aquele tal de Alex.

— É isso mesmo – confirmou ela, um pouco desconfortável em relembrar e que Teresa achasse demasiado rápido

— Pode-se dizer que estamos juntos há… uma semana – Fernando trocou um olhar com Carolina. Ela assentiu. Para eles, desde a primeira noite contava – Mas… oficializamos nosso namoro ontem.

— E já não era sem tempo! - a exclamação de Teresa tranquilizou Carolina – Agora só você mesmo para sossegar o facho desse moleque.

— Teresa! - Fernando reclamou. Carolina riu.

— Amanda disse quase a mesma coisa – informou a moça

— Para você ver… é verdade. - tornou a empregada

— Bem, antes que as duas comecem a elaborar um complô feminino contra mim, é melhor entrarmos. Você disse que estão todos nos esperando. Seria…?

— Seus pais, os pais da Carol e sua irmã. Amanda sugeriu a Sofia que convidasse o seu Paulo e a dona Adelaide, alegando que eram como segundos pais para você. Nem ela e nem eu achamos estranho, mas agora entendo o verdadeiro motivo – colocou as mãos na cintura – Resolveram fazer uma surpresa aos pais de vocês, não é, danadinhos?

— É, Terê, acertou. - Fernando fez uma expressão marota. - Se bem que os pais da Carol já estão inteirados.

— Espero que não seja uma surpresa desagradável para a Sofia – declarou Carolina. Viu a troca de olhares entre o namorado e Teresa. Eles reviraram os olhos – Ah, sei lá, ela gosta de mim como filha da vizinha e melhor amiga de anos, mas como namorada do filho dela…

— Vai dar pulos de alegria, menina! - cortou Teresa – Vai por mim, dona Sofia lhe tem em muita alta cota. -

— É o que estou dizendo para ela desde ontem – retrucou Fernando

— Está vendo? - apertou a cabeça de Carolina – Então… trate de tirar essas caraminholas da cabeça.

— Está bem. - Carolina emulou um sorriso e levantou os olhos para o alto – Vocês estão certos. Estou me preocupando à toa.

— Hum-hum – responderam tanto Teresa e Fernando em uníssono.

— É melhor entrarem de uma vez – continuou a empregada. O casal esperou que ela fosse na frente e a seguiram – Estão todos na sala.

Escutaram do corredor o barulho das conversas e risadas das famílias. Cessou o murmúrio assim que eles se apresentaram na sala.

— Boa tarde, pessoal! - disse Fernando

— Boa tarde – Carolina os saudou logo em seguida

— Boa tarde! - responderam todos.

Roberto e Sofia os encararam com curiosidade; quanto a Paulo, Adelaide e Amanda trocaram olhares cúmplices e sorrisos.

— Olá, filho! - Sofia se levantou e aproximou-se com entusiasmo de Fernando. Abraçou-o

— Olá, mãe.

— Que saudades eu estava de você!

— Poxa, mãe, mas eu vim aqui semana passada.

— Mas para uma mãe sempre é pouco a visita de um filho. - olhou com sincera alegria para Carolina e também a abraçou – Olá, Carolina? Como vai?

— Bem, Sofia. E você?

— Muito bem… e feliz. - olhou para Fernando – Esse meu filho parece que finalmente tomou jeito e se dignou a nos apresentar a namorada – o moço apertou os lábios para não rir. Carolina o fitou com advertência – Mas… vocês vieram juntos?

— Sim – responderam ambos ao mesmo tempo

— E você conhece a namorada do meu filho, Carol? Ela é mesmo uma boa moça? Amanda disse que sim.

Nesse momento, Amanda soltou uma gargalhada. Fernando quase a imitou, mas se reprimiu a tempo. Carolina queria fuzilar os dois com os olhos. Adelaide e Paulo se seguraram para não rir; quanto a Roberto, sua expressão foi de uma inicial confusão para um entendimento, especialmente ao alternar o olhar de Fernando para Carolina.

— Qual é a graça, Amanda? - Sofia se virou e a repreendeu – Não perguntei nada demais – voltou-se para o casal – E então, Nando? Cadê sua namorada? Você disse que ia trazê-la. Ela vem mais tarde?

— Mãe, eu já a trouxe – voltou a enlaçar a mão com Carolina. Segurava-se para não rir. Sofia arregalou os olhos – É a Carol.

Por alguns instantes, Sofia não disse nada. Carolina estremeceu com seu silêncio. Em seguida, a mulher deu um tapa no ombro do filho que riu.

— Isso é coisa que se faça, Nando? Você deixar para me contar só aqui no almoço que está com a Carolina! – olhou para a moça com falsa expressão repreensiva – E você também, hein, dona Carol? Indo na onda do meu filho!

— Desculpe, Sofia – disse a moça mais tranquila ao ver um sorriso se esboçar no rosto de Sofia, apesar de ela ostentar a expressão de bronca – Foi ideia dele.

— Ah, mas você não protestou nem por um segundo – Fernando se defendeu

— E vocês todos já sabiam, hein? - Sofia se virou para os demais que riam. - Adelaide, Paulo e Amanda… vocês combinaram um complô – voltou-se para Roberto – Até você, querido! Eu fui a última a saber.

— Eu não! Me coloque fora dessa história – Roberto balançou o dedo para o alto – Fiquei também sabendo disso agora

— É, mãe – confirmou Amanda se recuperando de uma crise de risos – O papai é o único inocente.

— Que bonitinhos vocês! Que amiga você é, hein, Adelaide?– a mãe de Carolina balançou a cabeça sem conseguir responder de tanto que ria. - Mas podem deixar que vai ter troco – voltou-se para Carolina com uma fisionomia calorosa e radiante – Me dê um abraço, Carol! Fico muito feliz de ser você a namorada do meu filho. Ele sempre quis que fosse você.

As duas se abraçaram. Carolina se comoveu com a recepção de sua sogra, uma segunda mãe para ela.

— E eu também torcia para que fosse você – tornou a senhora. Porém, olhou sério para Carolina – Faça o meu filho feliz.

— Claro, Sofia – olhou bem no fundo dos olhos dela para que visse a sinceridade de seus sentimentos – Assim como ele me faz feliz.

Logo todos se reuniam em cumprimentos e felicitações. O casal se sentou no meio de todos, sendo o centro das atenções.

O almoço foi servido logo a seguir ainda num clima agradável. Não haveria nada que pudesse estragar a felicidade das duas famílias.

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— Entendeu? – indagou Alex pelo celular, dando novas instruções ao detetive – Descubra em que tipo de negócio ele está metido, com quem, quando e me informe imediatamente.

E desligou.

Olhava com indiferença a bagunça do seu gabinete privado. As empregadas iam ter um trabalho danado para arrumar e deixar como antes, mas não se importava.

Finalmente, conseguiu esboçar um sorriso em seus lábios. Um sorriso perverso.

Fernando Vasconcelos de Albuquerque. Vou fazer você se arrepender de ter cruzado o meu caminho.

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O bicho vai pegar! Ou melhor, o Alex! Gostaram? Mandem reviews, hein? Até a próxima.