O capítulo está tenso, com cenas de violência e tentativa de estupro. Que não gosta, pule essas partes.

Espero que gostem!

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O silêncio pairou pelo depósito. Nem Fernando, nem Carolina disseram nada no primeiro momento, tensos e preocupados, apenas se entreolhavam. Podiam sentir a fúria silenciosa e explosiva de Alex pairar no ar, embora ele ostentasse um largo sorriso. Torto e de escárnio. Podiam vislumbrar também a ansiedade e expectativa no rosto de todos os bandidos, sobretudo na de Gavião. Somente Minhoca conservava uma expressão de aparente neutralidade.

— Alex… - Carolina sussurrou baixinho, mas audível suficiente para Alex escutar. Este se virou de imediato em sua direção. Ela notou o olhar de advertência de Fernando, mas ignorou e focou sua atenção no olhar furioso e vidrado de seu ex. - Por favor… Faça o que quiser comigo… Mas, por favor… deixe… deixe o Fernando…

— Fica quieta, Carolina! - gritou Fernando de súbito a interrompendo e assustando-a. Sua expressão era uma mescla de pavor e raiva. Adivinhou o que ela insinuava com aquelas palavras, mas não permitiria nenhum sacrifício por parte dela – Não diga mais nada!

Alex se voltou para ele e a passos rápidos e firmes se aproximou e lhe desferiu um soco no rosto, precisamente no canto da boca. Um filete de sangue escorreu pelos lábios de Fernando, mas este não se intimidou e encarou firme o empresário

— Cale a boca você, seu filho de uma égua – retrucou Alex num tom baixo, mas furioso – Quero ouvir o que minha mulher quer me dizer.

Em resposta, Fernando se ergueu e devolveu-lhe o soco, mas dois bandidos o agarraram. Mesmo assim, ele se debateu enquanto esbravejava:

— Ela não é sua mulher, seu bandido demente! Ela é minha mulher, minha noiva! Vê se nos deixa em paz! - um murro desferido no alto da cabeça por um dos bandidos fê-lo se calar

Eles o sentaram na cadeira e o seguraram de cada lado. O mesmo bandido que o golpeou lhe apontou uma arma na cabeça e disse:

— Fica aí ou leva chumbo.

Fernando apertou os dentes com raiva, mas obedeceu. Com a cabeça abaixada, viu os passos de Alex se aproximarem. Este soltou dois suspiros bastante ruidosos e, de súbito, ergueu sua cabeça com violência o puxando pelos cabelos. Fernando deu uma fungada de dor, mas não emitiu gemido. Não ia dar tal satisfação ao seu inimigo.

— Me disse pra deixar vocês em paz? - o empresário soltou um riso curto – Eu garanto que é algo que vocês nunca mais terão – aproximou a boca do ouvido de Fernando – Assim como você nunca a mais a terá – contraiu a mandíbula – E nunca deveria tê-la.

— Seu…

Mas se calou quando o empresário jogou sua cabeça bruscamente para a frente e deu-lhe uma cotovelada no meio das costas. Fernando não conteve um gemido alto de dor.

— Pare, Alex! - gritou Carolina desesperada – Você está machucando o Fernando!

Alex se virou para ela com expressão debochada.

— Meu coração sangra por ele – disse.

E começou a rir junto com os bandidos ao seu redor. Todos, menos Minhoca, que parecia ligeiramente desconfortável. Trêmula, Carolina balançou a cabeça; seu olhar alternava da face sádica do ex e do seu noivo que ainda permanecia com o tronco inclinado para frente pela dor e segurado pelos dois capangas. Ela engoliu em seco; não sabia se permanecia imóvel na cadeira ou se ia até Fernando, mesmo sabendo que poderia ser impedida.

— Você está preocupada com ele? - esbravejou Alex e aproximou-se dela, assustando-a e fazendo cessar os risos de seus subordinados – Você diz que eu estou o machucando?

— Alex… - ela quis abrir a boca, mas foi interrompida, quando ele pegou com violência em seu rosto

— E eu, hein? E eu, Carolina? - ele apertava o rosto dela entre as mãos, a expressão furiosa. Carolina fechou os olhos pela dor, mas manteve os olhos fixos nele – Você se preocupou comigo quando fui preso por sua causa? Se importou no quanto eu estava machucado por você ter me deixado pra se atirar nos braços desse merda? - Alex elevou o tom. Carolina tremia – Responde, vadia!

— Tire as mãos dela, desgraçado! - gritou Fernando recuperado do golpe, embora o rosto se contorcesse dolorido. Ele se debatia na cadeira segurado pelos dois capangas – Seu covarde! Se mete comigo se você é homem!

Um dos bandidos lhe torceu o braço para que ele se calasse e ficasse quieto. Fernando grunhiu, mas continuou a se debater e encarar Alex que soltou Carolina e se virou para ele

— Viado dos infernos! – Gavião se aproximava dele a passos rápidos – Vou quebrar esses dentes seus pro cê aprender a ficar com a boca fechada.

— Espere! – Montezzuma levantou o braço para deter Gavião e emulou um sorriso de escárnio – Podem soltar ele. Me deixem brincar um pouco... Isso vai ser divertido.

Os bandidos que ainda seguravam Fernando o largaram. Ele ficou confuso a princípio vendo Alex diante dele de peito aberto como se quisesse brigar.

— Vamos! O que está esperando? – tornou o empresário com expressão de deboche – É a sua grande chance de tentar se livrar de mim e salvar a Carol. – colocou-se em posição defensiva – Vamos lá... Se conseguir, talvez eu pense em soltar vocês.

— Mentira... – disse Fernando com voz tremida, sentindo a dor nas costas da cotovelada que havia recebido de Alex

— É, você tem razão – ele riu assim como os bandidos – Mas ainda assim sei que você deve estar doido para quebrar a minha cara... e vou te dar uma vantagem. Não se preocupe que ninguém aqui vai interferir. Posso dar conta de você. Mas tente ver se me acerta.

Fernando se pôs de pé, mas olhou rapidamente para sua noiva. Ela balançou a cabeça para os lados com expressão de súplica. Porém, ele a ignorou e fixou os olhos em Alex com extremo ódio. E mesmo com a dores nas costas e no braço, avançou de uma vez no empresário e o derrubou no chão. Apesar de surpreendido, Montezzuma rapidamente recuperou a vantagem e rolou Fernando para o lado, ficando em cima deste. Começou a socá-lo com fúria.

— Não! – gritou Carolina – Pare, Alex! Pare!

— Eu vou parar, Carolina... Eu vou parar. Mas assim que eu acabar com esse lixo – respondeu Montezzuma sem interromper os socos. Ele apertava o maxilar numa mescla de fúria e satisfação. – E depois... – ele soltou um curto riso sem se voltar para ela – E depois, minha querida, você vai receber um tratamento especial... como nos velhos tempos.

Ao escutar essas palavras, Fernando urrou e sentiu novo ímpeto animá-lo. Ele jogou todo o seu peso sobre Alex e ficou sobre ele.

— Desgraçado! Você nunca mais vai tocar na Carol! - esbravejava – Eu te mato antes, se for preciso! Mas você nunca mais vai tê-la.

A raiva, o desespero e a necessidade de salvar Carolina faziam Fernando ignorar as dores e os machucados e esmurrar o empresário com vontade. Estava decidido a matá-lo. Alex tentava se desvencilhar, mas a fúria do outro era maior.

— Tirem… ele... – foi tudo o que disse com voz sôfrega.

Imediatamente, os capangas obedeceram ao seu comando e arrancaram Fernando de cima de Montezzuma. O moço ainda tentou resistir, mas nada pôde fazer. Outro bandido ajudou Alex a se levantar e ficar de pé. O empresário teve que se apoiar nele num primeiro momento, mas logo o afastou irritado pela intervenção, embora houvesse pedido.

— E então, hein, seu patife? Vai nos libertar? Vai nos deixar em paz? - esbravejava Fernando – É claro que não! Assim como chamou por seus capangas pra te ajudar! - cuspiu sangue no chão tanto para expelir o gosto desagradável como numa demonstração de desprezo e escárnio pelo empresário. Alex estreitou os olhos, mas não se moveu porque ainda se recompunha – Não disse que dava conta de mim?

— Nando, por favor! – Carolina tentou adverti-lo para não provocar Alex. A expressão furiosa do ex era visível

— Deu tanta conta agora quanto daquela vez lá no trabalho dela – Fernando riu e ignorou a noiva – Você é mesmo um covarde! Um…

Um soco no estômago dado por Gavião fê-lo se curvar e calar. Fernando nem conseguiu ter forças para gemer de dor

— Nando! Nando!

Carolina se levantou e correu para auxiliar seu noivo, porém, Minhoca foi mais rápido e interceptou seu caminho.

— Por favor, volte para a cadeira. - ele a segurou pelo braço.

— Me larga! Nando!

Inúteis eram seus gritos. Gavião continuava a golpear Fernando.

— Pode parar, Gavião – disse Alex, embora seu olhar se detivesse sobre Carolina. A preocupação dela por Fernando o torturava e o enraivecia. – Faço questão de eu mesmo terminar o que comecei.

— Alex, por favor! Não! – suplicou Carolina

— Minhoca... leve-a de volta para o lugar dela e a segure. – disse o empresário sem se voltar, mas fervendo de raiva. Mostraria para ela do que era capaz – E trate de amarrá-la e amordaçá-la.

Minhoca fez como o ordenado. E embora Carolina se debatesse, desse-lhe murros no braço e implorasse, ele a sujeitou e levou-a de volta para a cadeira onde junto com outro capanga prenderam-na com cordas e usaram o pano para calá-la.

— Soltem... ela... covardes – disse Fernando ainda com esforço por causa dos golpes no estômago. Olhou com aflição para a noiva e depois para Alex – Seu... patife.. Deixe a Carol...

Um murro em sua boca dado por Alex fê-lo se calar.

— Cala essa maldita boca, infeliz. Você já me irritou o suficiente – disse Alex num tom – Vou fazê-lo engolir tudo o que me disse.

E começou a esmurrar Fernando sem parar. Em seguida, tornou a golpeá-lo no estômago tal como Gavião havia feito. Fernando procurava conter o máximo que podia os gemidos e as expressões de dor para não dar uma satisfação maior a Alex. Carolina virou o rosto incapaz de ver mais, as lágrimas escorriam.

— Cadê a sua valentia, hein? – Alex zombava enquanto continuava os golpes – Você acha que é mais homem do que eu? Fala, se tem coragem! – esbravejou a última frase – Fala, se quiser que eu pare

— N... não...

— Ahm? – o empresário deteve os golpes e segurou na nuca de Fernando. Aproximou o ouvido para escutá-lo. Queria que Fernando declarasse que não se achava mais homem – Como disse?

— N... não... não...

— Não o quê, seu verme?

— Não... acho... Eu... sou... mais homem... do que... você. – cuspiu sangue no rosto de Alex

Os homens que seguravam Fernando olharam atônitos para ambos.

Fernando encarou Alex com um meio sorriso insolente, apesar da expressão dolorida. A princípio, o empresário não fez nada. Limitou-se a tirar um lenço do bolso da calça e limpar o sangue do rosto, bem como de outras feridas na face. Dirigiu um sorriso forçado ao rival. Em seguida, derrubou Fernando no chão lhe golpeando pelas costas e começou a chutá-lo sem parar.

— Vou te ensinar a me respeitar, seu verme! – esbravejou – Vou fazer você implorar para que eu pare!

Fernando se protegia o quanto podia, mas estava difícil. Sentiu todo o corpo latejar, especialmente as costelas. Não conseguia conter os gemidos de dor que se intensificavam.

Carolina continuava na cadeira com o rosto virado, incapaz de conseguir testemunhar o sofrimento de seu noivo. Tudo o que podia fazer era rezar pedindo por um milagre que os tirasse daquela situação.

— Vire o rosto dela para cá, Minhoca – disse Alex parando momentaneamente enquanto recuperava fôlego e deliciava-se em contemplar seu rival ferido e ensanguentado, com o corpo encolhido e a expressão dolorida – Quero que ela veja.

Minhoca obedeceu sem questionar. Carolina se recusou a deixá-lo tocar em seu rosto, mas foi em vã sua tentativa. Mesmo assim, manteve os olhos fechados.

— Abra os olhos, Carolina! – esbravejou Alex, mas ela não lhe obedeceu, deixando apenas que mais lágrimas escorressem – Abre a porra dos seus olhos agora! – Montezzuma gritou mais alto – Eu quero que você olhe pelo que me trocou. – deu outro chute em Fernando – Anda! – ela balançou a cabeça – Ou eu juro que eu atiro na porcaria do seu noivinho agora

Imediatamente, Carolina obedeceu. Era nauseante ver seu grande amor naquele estado, a perversidade de seu ex e daqueles homens que pareciam se divertir com o sofrimento de um ser humano, mas tinha que fazê-lo. Devia fazer qualquer coisa para evitar que Alex matasse Fernando, pois era por sua culpa que aquilo estava acontecendo a eles. Nunca deveria ter se envolvido com Alex Montezzuma.

— Isso mesmo. É assim que eu gosto – Alex esboçou um sorriso de escárnio – Eu quero que você olhe... e não se atreva a fechar os olhos ou virar o rosto. Ou mato esse lixo.

Carolina fitou Alex. As lágrimas cessaram. O medo e o pavor ainda estavam presentes, mas também davam lugar ao ódio, repulsa e desprezo por aquele homem por quem um dia julgou nutrir alguma afeição.

Montezzuma pareceu momentaneamente perturbado com o que viu no rosto da ex namorada, como se captasse todos os sentimentos malévolos que ela lhe transmitia. Contudo, não se intimidou e recomeçou a chutar seu rival.

Fernando protegia a cabeça com os braços e encolhia-se sob o estômago e os órgãos genitais. Eram as partes mais sensíveis que devia priorizar, mesmo assim eram dolorosos os golpes em suas costas e pernas. Não queria que Carolina testemunhasse seu martírio não por vergonha, mas por querer poupá-la daquele espetáculo. Entretanto, ao mesmo tempo, pedia mentalmente que Alex se satisfizesse apenas em querer mostrar aquela surra a Carolina e até o matasse se fosse de seu agrado, desde que libertasse sua noiva. Sabia que até mesmo isso era um desejo otimista, mas não podia fazer mais nada.

Em dado momento, Fernando gritou. Sentiu duas costelas se partirem. Alex parou o que fazia, riu assim como seus comparsas, abaixou-se e puxou a cabeça de Fernando pelo cabelo. Ele não conteve o gemido de dor.

— Parece que finalmente quebrei alguma coisa, hein? Olha, Carolina! Veja bem! – ele se dirigiu a ex com expressão sádica – Você ainda quer se casar com isso?

Carolina não podia responder, mesmo que quisesse com a mordaça. Ela ignorou Alex e apenas se limitou a encarar Fernando, tentando transmitir todo amor e coragem em seu olhar, apesar da dor e tristeza que também sentia pelo que ele passava. Mesmo sem abrir totalmente os olhos, Fernando captou todos esses sentimentos. Fungou o ar várias vezes para tentar extrair forças.

— Responde, sua vaca! – tornou Alex fechando o rosto numa expressão de fúria ao perceber a breve troca de olhares – Diz com a cabeça... Você ainda quer se casar com essa bosta?

Carolina engoliu em seco. Sabia que se dissesse a verdade poderia enfurecer mais ainda seu ex. Por isso, balançou a cabeça várias vezes para os lados. Esperava que Fernando entendesse que seu gesto era para salvá-lo.

— Hum... sei. Isso vamos ver. – Montezzumma emulou um sorriso misto de satisfação e ironia – Desamarrem ela pra mim, mas não tirem a mordaça ainda. E a segurem na cadeira

Minhoca assim o fez, auxiliado pelo outro bandido. Carolina deveria sentir alívio, mas não. Um calafrio a percorreu, não sabia o motivo, mas o sentiu.

— Sabe... eu queria poder ficar mais um tanto te batendo até quebrar todas as suas costelas – ele sussurrou no ouvido de Fernando, mas em tom audível para Carolina também escutar – Mas você poderia não aguentar e desmaiar... e eu não quero isso. Assim como não quero te ver morto... ainda. Vou te fazer sofrer muito primeiro – ele pegou no rosto do rival e virou-o para ele – Pra começar, você vai me ver possuir a Carolina na sua frente.

— N...não... – Fernando fez um movimento como se quisesse avançar em Alex, mas a dor de uma costela quebrada o impediu – Ai!

Montezzuma o soltou bruscamente e ergueu-se. Caminhou a passos lentos até Carolina. Ela se debatia, Alex se revelava um monstro, mas, mesmo assim, era inadmissível que fosse capaz de semelhante indignidade contra ela, ainda mais com uma plateia de marginais assistindo e somente pelo prazer de torturar a seu noivo. E a ela.

— Ansiosa, meu amor? - indagou ele e alisou o rosto de sua ex. Ela o desviou enojada, mas Alex o virou de frente para ele, obrigando-a a encará-lo – Pois eu estou ansioso pra voltar a tocar esse seu corpo – ele deu uma rápida olhada de cima em baixo em Carolina – Me lembrar de como era tocá-lo, cada parte sua… – sua voz ficou rouca de desejo e aproximou a boca de um dos lados da face de Carol. Ela fechou os olhos e retesou-se agoniada – ...sua pele macia, seu calor e seu cheiro – fungou com o nariz – Como você me excita, Carol… E não me canso de você.

— Deixa ela em paz, seu animal! - gritou Fernando com todas as forças, mesmo sentindo dores pelo esforço. Ele apertou os olhos ao senti-las latejar – Me mate se quiser… mas deixe a Carol!

— Eu vou te matar, não se preocupe. - retrucou Alex sem se voltar para ele enquanto se afastava apenas para tirar a mordaça de Carolina – Mas como eu disse, vou me divertir bastante primeiro vendo você sofrer.

— Por favor, Alex! Não! - disse Carolina numa voz esganiçada e balançado a cabeça – Não.

— Cala a boca, sua vaca! - ele a estapeou com força, Carolina virou o rosto com a pressão – Eu vou fazer o que quiser com você. Se falar ou reclamar de qualquer coisa, eu vou te bater também. Entendeu?

Carolina apenas assentiu sem abrir os olhos. As lágrimas recomeçando a deslizar

— Seu... covarde! - tornou Fernando! - Miserável!

— Pode ladrar à vontade, cachorro – desdenhou o empresário e começou a deslizar as mãos sobre os cabelos de Carolina. Ele riu – Eu até prefiro. Vai ser muito mais excitante assim. – virou-se para a ex – Esqueça tudo, meu bem. Agora vai ser apenas você e eu.

Carolina estremeceu com o toque de Montezzumma em seu cabelo e soltou um soluço, mas procurou se manter calada, não apenas por temer outro golpe, mas porque talvez se o deixasse fazer o que quisesse com ela, pudesse acalmá-lo e tentar convencê-lo a libertar seu amor.

Quanto a Fernando, resolveu ficar quieto, não apenas por saber que era inútil protestar, mas tentava pensar em uma maneira de livrar sua noiva daquele suplício ou fazer um esforço supremo para se levantar e impedir Alex.

As mãos de Alex deslizaram pelo pescoço de Carolina e acariciaram ali em lentos movimentos de vaivém; ela fechou os olhos tanto para não ver o que seu ex fazia como para não contemplar as expressões libidinosas dos capangas que assistiam tudo como se fosse um filme pornô ao vivo e como que desejassem estar no lugar do empresário. Ela procurava ignorar o som da respiração entrecortada dele, bem como as palavras obscenas que ele lhe dizia

Sentiu os lábios de Alex sobre os seus; tentou reprimir a sensação de repugnância, principalmente quando ele forçou a entrada da língua.

Vai acabar, vai acabar. Aguente firme. Começou a mentalizar como um mantra para lhe dar forças.

Fernando apertou os punhos por um momento e apertou o maxilar. Era insuportável ver aquilo, não por ciúmes, mas por imaginar o quão penoso aquilo devia ser para sua noiva

— Você continua com um gosto bom, meu amor – Alex afastou os lábios com a expressão num misto de satisfação, paixão e insanidade – Olha pra mim, Carol – ela o obedeceu de imediato, embora a contragosto – Quero que mantenha os olhos abertos enquanto faço amor com você. Entendeu? – ela assentiu. O tom dele era baixo e calmo, mas se notava uma ameaça velada. Ele lhe sorriu – Boa menina.

Súbito, ele rasgou a frente do vestido de Carolina expondo seu sutiã, o vestido que usava desde seu almoço com o noivo no restaurante. Ainda que estivesse preparada para o que ele lhe faria, ela deu um grito de surpresa e pavor. Fernando fez um movimento repentino para se levantar e acudi-la, mas o corpo latejou e ele permaneceu inerte, não sem antes emitir um gemido dolorido.

Instintivamente, Carolina cobriu os peitos. Não ousou olhar para os capangas, mas podia sentir a aura sexual e o desejo deles.

— Não os cubra – ameaçou Alex – Quero vê-los... e quero que eles todos vejam o que é meu. O que nunca tocarão.

Carolina não conseguiu obedecê-lo, tremia. Irritado, Alex puxou os seus braços para baixo, obrigando-a se mostrar para ele. Ela desabou a chorar. Fernando deu um murro no chão e encostou a testa no mesmo, frustrado consigo mesma por não poder ajudar seu amor. Ele se segurava para não chorar também, não por si, mas por ela, pela provação dela. Aguentaria todas as surras que Alex quisesse lhe aplicar somente para não ter que deixá-la sofrer aquilo.

Deus, por favor. Não a deixe passar por isso.

— Para de chorar! Eu não quero escutar nenhum berreiro! – Alex pegou no rosto dela com uma mão e com a outra alisou seus seios por cima do sutiã – Quero que você me deseje, que geme por mim… como antes… quando estávamos juntos.

Náuseas e tonturas começaram a irromper em Carolina, não sabia dizer se pela ameaça de estupro ou se pela tensão desde o início com a surra em Fernando. O fato é que sentiu a cabeça tombar.

— Carolina… Carolina…

O chamado de Alex se tornou vago em seus ouvidos e, infelizmente, seu rosto foi a última coisa que contemplou antes da vista escurecer.

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E aí? Tiveram estômago forte para ler? Com certeza, vcs devem estar doidas para castrar o Alex, rsrsrs... Fiquem tranquilas, porque ele logo vai receber o que merece e o sofrimento do nosso casal também está acabando, embora tenham mais um obstáculo para enfrentar, enfim. E a história caminha para a reta final! Faltam somente três capítulos e o epílogo. Estourando no início de fevereiro vou conclui-la com certeza.

Sejam bondosos comigo e comentem. Até a próxima.