Eu nunca pensei muito sobre como faria sexo. Sempre quis que fosse com alguém que eu gostasse, pelo menos, mas nunca me importei com quando seria ou aonde. Nunca tive a grande curiosidade relacionada a ele, e raramente me vinha o desejo de de fato consumar o ato.

Sempre atribuí isso à minha demissexualidade, que fazia com que eu apenas sentisse vontade de transar com pouquíssimas pessoas, estas que entravam na minha vida e saíam dela antes mesmo que eu pudesse cogitar a possibilidade, mas talvez não fosse apenas ela. Talvez eu simplesmente não me sentisse confortável o suficiente com ninguém para que transássemos.

Eu não sei por que foi diferente com ele. Talvez por que ele nunca forçou, nunca pediu, nunca insistiu. Ele sempre foi diferente dos outros, que me davam camisinhas, insistiam para que eu tirasse as roupas, etc. Ele nunca teve essa necessidade. Certo, ele tinha vontade de ver meu corpo nu e tinha vontade de transar, mas ele nunca disse isso como se fosse uma obrigação minha saciar seus desejos. Ele só me dizia que queria, e, quando eu achava que queria, dizia também.

Nossa primeira vez foi meio estranha. Éramos dois bobos com uma camisinha na mão. Ele tenso, broxando, e eu tentando deixá-lo confortável. Ele me agradeceu por isso, me tocou, me beijou e me deixou confortável também. Eu não estava nervosa. Ansiosa, talvez. Não lembro direito como eu me sentia, mas lembro de me sentir bem. De me sentir livre, ou algo assim.

Ele perguntou se doía, e eu disse que não. E transamos. Não doeu, mas não foi delicioso. Não foi bom nem necessariamente ruim. Não foi agradável nem desagradável. Eu sentia o peso do corpo dele sobre o meu e encarava o teto, pensando "Ah, isso é transar". Achei sem graça, sinceramente. Preferia as outras coisas que fazíamos nus.

Lembro de estar quieta e de ele estar gemendo, e eu pensei que deveria dizer que o amava, porque queria lembrar da nossa primeira vez com um Eu te amo. Então, eu disse, e ele disse também. Como todo o ato, foi bem estranho. Cartas na mesa, eu havia achado sexo algo decepcionante. Simplesmente chato.

Então, eu perguntei se ele havia gostado. Ele disse que sim. Eu disse que não, e contei como tinha sido pra mim. Ele ficou um pouco surpreso, e foi jogar a camisinha no lixo enquanto eu contava para minhas duas melhores amigas que havia perdido a virgindade - típico de minha parte.

Não lembro como foi que decidimos fazer a segunda vez. Acho que nos beijamos um pouco, e, como estávamos nus, um de nós dois fez a sugestão. Aí, o outro aceitou.

A segunda vez foi bem mais divertida. Tentamos posições diferentes, e entre minhas gargalhadas silenciosas (a mãe dele dormia na mesma casa) e puns que eu não conseguia controlar, nos beijamos muito, passamos muita vergonha na frente um de o outro e suamos bastante. Foi divertido, e até um pouco bom.

Na terceira, finalmente, eu senti prazer. Prazer mesmo. Nada de meio termo. Era aquilo que meus dedos não faziam. Era ele. Não só o órgão dele dentro de mim, mas seu corpo em cima do meu, e seus ombros perto do meu queixo, sua cabeça escondida entre meu ombro e meu pescoço, suspirando, gemendo, me beijando e dizendo coisas bonitas ou sexuais. Tudo isso foi maravilhoso.

Infelizmente não podíamos dormir daquele jeito, mas ficamos longos minutos conversando, nus, sobre tudo. Talvez não tenha sido nessa noite, mas lembro que conversamos sobre o universo, religiões, a existência ou não-existência de deus (ele acredita, eu não) e tudo que se possa imaginar. Foi bom. Foi como encontrar um refúgio e poder ficar lá, aninhada nos braços dele, falando sobre tudo que me viesse à cabeça sem ser julgada. Foi lindo.

Isso não mudou nas outras vezes, também. Sempre foi divertido, sempre foi bom, sempre houveram conversas esquisitas, beijos desengonçados e muito, muito amor e carinho um pelo outro.

Eu sinceramente, sinceramente fico feliz de ter sido com ele. Mesmo que um dia deixe de dar certo, eu estou feliz que tenha sido ele. Deveria ser ele. Sempre foi ele, não só para isso, mas para tudo. Nunca gostei de alguém como gostei dele; nunca amei alguém como amo ele. É simples assim. É diferente de tudo. Eu volto pra ele, e ele volta pra mim, e fazemos ao máximo pra nos compreender e nos aguentar. Ele tenta entender minha confusão de verdade, e eu definitivamente o amo por isso.