Queria voltar. Nem que pra isso tivesse que pegar todas as minhas coisas e viajar, nem que pra isso tivesse que parar de existir e tentar. Nem que isso me magoasse. Nem que me ferisse e machucasse e me deixasse pior. Queria voltar de qualquer jeito. Queria. Não sei por que não uso o presente. É o medo, eu acho. O medo. Porque eu sei que se eu voltar, não vai ter como. Sei que voltar não vai fazer as coisas melhorarem. Sei que eu terminei por um motivo.

E ainda assim eu quero voltar. Sabendo que vai dar tudo errado. Sabendo que não vai dar certo. Eu sinto que faria qualquer coisa só pra poder escutar a voz dele. Só pra poder viajar e vê-lo de novo. Só pra poder me sentir em casa na casa dele, só pra poder amar a família dele e ser amada por ela de volta. Eu me sentia em casa com ele. Eu me sentia. Eu me sentia mesmo em casa com ele. Era diferente. Ele não me compreendia e isso era ruim. É ruim. Eu me senti sozinha durante todo o namoro. Todo não. Não sei por que disse todo. Será que é por ser verdade?

Não sei mais. Mas eu me sentia sozinha no final, com certeza. Por isso terminei. Porque eu estava com ele e ainda assim eu queria me suicidar. Porque eu chorava todos os dias. Porque eu estava tão deprimida apesar de não dever estar. Eu queria estar perto e eu queria estar junto o tempo todo e eu queria que ele me amasse e dissesse que me amasse e me abraçasse pra sempre e que eu nunca mais tivesse que sentir dor alguma. Mas não é assim. Ele não me compreendia. Eu não compreendia ele. Ainda não compreendo. Eu tento ter uma ideia, mas não é assim. Ele nunca quis me dizer. Ele nunca foi bom em dizer. Eu só queria que ele dissesse. Eu só queria resolver.

E agora terminamos. Terminamos. Acabou. Sem mais miojo. Nós comemos miojo, não comemos? Eu teria que perguntar pra ter certeza. Ah, eu lembro. Ele passou mal e eu peguei remédios pra ele. Com água. E levei na cama, eu acho. Eu fiz isso várias vezes. Ele fez isso por mim várias vezes. Eu amo ele, amo ele, amo ele, amo ele, amo cada detalhe dele. Odeio muitas coisas, mas amo elas também. Eu odeio tanto. Odeio. Odeio. Odeio. Odeio. E ainda assim amo, amo, amo, amo, amo tanto que machuca. Que me incomoda. É algo que parece tão natural, como se ele fosse parte de mim. E ainda assim parece algo que não é saudável. Porque eu deveria me amar mais. Eu deveria me valorizar mais, certo? Acima. Acima. Acima. Em primeiro.

Ele esqueceu de mudar algumas coisas. Que lembram da gente. Eu não queria nem dizer isso aqui, porque eu quero que ele esqueça. Quero que ele esqueça que terminamos. Quero fingir que ainda estamos juntos. Eu faria qualquer coisa. Eu fingiria até estar grávida se fosse pra ele ficar certo. É obsessivo. Não é saudável. É por isso que terminamos. Esse é um dos motivos. Essa loucura doentia que eu chamo de amor. E é amor. Mas é um amor que precisava ser controlado. Colocado em correntes, ou pelo menos cordas, até que pudesse se libertar. Se libertar de maneira saudável. Um amor que deveria passar por tratamento.

É, eu estou na psicóloga. Isso que dói. Eu tentei mudar. Eu estou tentando, ainda. Mas eu acho que boa parte dessa mudança não foi por mim, e isso que eu fiz de errado. Foi por ele. Foi por ele, foi por ele, foi por ele. Foi pra não incomodá-lo quando eu me sentisse mal. Foi pra que eu não enchesse mais o saco. Que eu não sentisse mais ciúmes. Que eu ficasse menos triste. Eu só queria ser feliz o tempo inteiro, porque acho que era o que ele queria. Não por eu querer. Eu queria ser triste. Eu queria me acostumar com a minha tristeza. Que não é minha. É depressão. Eu sei. Mas eu entendia ela. Ela está comigo faz tempo, então nos entendemos um pouco. Eu a odeio, mas eu a entendo.

As crises vem e vão. Algumas vezes são mais difíceis do que outras. Eu entendo que seja cansativo. Eu entendo que seja ruim e que nem todo mundo queira passar por isso e conviver com alguém assim. Mas eu achei que eu importasse. Que ele se importasse comigo. Que ele estivesse disposto a aguentar. E ele não estava. E eu tentei mudar, mas não foi o suficiente. Eu não mudei. Eu sei que errei, mas eu não sei o que eu fiz de errado. Porque eu estava tentando, mas tentar nunca foi o suficiente. Ele disse que estava tentando também. E pra mim nunca foi o suficiente. Talvez seja isso.

Como eu disse, não estávamos na mesma página. Não sou o suficiente. Não sei se já fui o suficiente pra alguém. Eu queria que existisse alguém que existisse por mim. Não desse jeito. Não desse jeito porque talvez eu decepcionasse esse alguém, e esse alguém morresse, e eu não quero isso. Talvez ele tenha se sentido assim, de alguma forma. Mas eu queria que existisse alguém que me amasse com cada defeito, e que aguentasse tudo por mim. Mas eu não consegui fazer isso por ele, e ele não conseguiu fazer isso por mim. Eu nem sei se é assim que funciona de verdade. Pessoas são diferentes. É difícil de conviver.

Mas ah, eu me sinto tão quebrada e arrasada. Devastada. É como se eu estivesse vivendo por ele, e agora que não tem mais ele, não parece mais valer a pena. Ele se sentia sufocado, eu me sentia insegura. Não estávamos na mesma página. Eu sei. Eu entendo. Ainda não estamos. Não vamos ficar, não agora. E ainda assim eu não quero esperar. Eu não quero que ele me supere. Eu não quero acordar um dia sabendo que não amo mais ele. Escrevi tudo isso e foi essa frase que me fez sentir mais vontade de chorar. Eu realmente não queria ter de esquecê-lo. E eu não queria que ele esquecesse de mim.

Só de pensar em ele com outra garota, eu sinto ânsia de vômito. De verdade. Eu senti várias vezes hoje, porque pensei muito nisso. E ontem eu lembrei de como ele cuidou de mim na festa que fomos. Ele dormiu comigo. Nós dormimos juntos várias vezes. Ah, como eu amo dormir com ele. Eu gostava do sexo, mas nunca fiz tanta questão, não sempre. Mas dormir junto, isso sim. Eu me sentia vulnerável e querida. Eu sabia que podia confiar nele, porque ele dormia comigo. Ele. E eu dormia com ele. E nós dormíamos juntos. Eu penso nele beijando os meus cabelos e minhas bochechas e meus lábios. Toda a delicadeza.

Eu penso em nós caçando Pokémons juntos. Penso em tantas cobranças que fiz. Sei que ele me amou. Só precisava que ele me lembrasse. Mas pensando, eu sei. E eu lembro. E eu sinto que amo cada segundo que eu passei do lado dele. Cada risada e sorriso. E a barba dele e o cabelo dele e as mãos dele. Os dedos, a barriga, as pernas. Os braços. Cada detalhe. Eu amei tudo. Eu amo tudo. Eu amo tanto que dói pensar que perdi. Que não tenho mais. Que se foi.

Não sei se ele me ama do mesmo jeito. Viu? Ainda não sei. Sei que ele me amava, mas não sei o quanto ou como. E talvez saber que ele me amava/ama (?) baste para alguns, mas pra mim, pra minha insegurança, pra minha depressão, nunca foi realmente o suficiente. Não sei se ele sente falta de todas as partes do meu corpo ou se ele achava tudo em mim bonito ou se ele amava cada detalhe que me compunha. Não sei.

E eu quero ele de volta. Eu o quero. Sério. Eu só consigo pensar em ligar e implorar e mostrar esse texto e tentar convencê-lo. Eu gostaria de ir lá, levando flores e chocolates e me ajoelhando, se isso o trouxesse de volta. A voz dele. Ah, a voz dele. Eu amo a voz dele. Eu amo ele. Amo, amo, amo, amo. Eu perguntei se ele conseguia lembrar que tinha amado outras pessoas e ele disse que sim, mas que era diferente comigo. É. Bem, eu não consigo. Consigo. Mas... É diferente. É mais diferente do que o dele. Eu acho. Porque amá-lo faz parecer que eu nunca amei ninguém. Porque acho que eu nunca amei ninguém dessa maneira.

Errada. Errada. Errada. Eu errei tanto. Eu estive tão errada. Eu amei de maneira errada? Amor pode ser errado? Não sei. Eu estava tentando. Eu tentei amar. Eu tento amar. Eu não posso mais amar. Não devo. Porque acabou. Acabou. Acabou e eu não queria que tivesse acabado. Acabou e eu ainda não quero que acabe, mesmo tendo acabado. Eu não consigo dormir. Eu não quero dormir. Eu estou cansada e exausta e eu só queria que ele voltasse. Eu só queria voltar e que tudo ficasse bem. Eu só queria a felicidade de volta. A nossa felicidade. A vida sem ele não parece mais fazer sentido.

É diferente. Eu sinto que perdi minha alma gêmea. Não sei se ele se sente do mesmo jeito. Acho que não, porque aí ele voltaria pra mim? Não sei. Talvez ele se sinta, mas talvez almas gêmeas não existam. Talvez... Talvez. Nãos ei. Não sei. Talvez ele não se sinta. Talvez ele sinta, mas saiba que não vai dar certo, então não tenta. Foi o que eu tentei fazer. Aí eu me arrependi. Me arrependi, me arrependi, me arrependi. Me arrependo. Eu fiz algo certo. Eu sei. E ainda assim eu me arrependo. Porque eu preferia ter seguido o caminho errado. Errado. O da dor. Com ele. Preferia passar por toda aquela dor. Eu sei que não daria certo. E que doeria. E que nos odiaríamos, talvez. Talvez tenha sido melhor ter acabado com tudo. Mas eu queria. Queria mais. Queria tudo.

Não deu certo. Queria que tivesse dado. Quero que dê. Mas sei que não é assim. E eu sofro com o pensamento de que ele vai me superar, querendo ou não. Uma hora ou outra. E talvez eu o supere também. Mas eu não queria. Eu queria tentar. Queria mesmo. Queria com todas as forças. Queria fazer dar certo. Mesmo que eu sinta que não daria. Isso é horrível. Como você pode amar tanto alguém com quem você não vai dar certo? Será que o amor não quer dizer que vocês podem fazer dar certo? Eu não sei. Não acho que tenha um manual. Não acho que os que já amaram mais vezes e por mais tempo saibam.

Quero morrer. Quero morrer e quero viver. Mas queria viver com ele. Quero viver com ele. Quero tentar sem? Queria. Agora...? Não sei. Eu olho pro amanhã e ele parece vazio. E subitamente parece que está tudo bem. E que as coisas podem dar certo. Mas depois, não mais. Depois vem o desespero, e eu preciso dele. Eu preciso dele. E talvez esse seja o motivo. Talvez isso seja o que ele disse sobre tentarmos nos superar e tentar viver. Talvez nós consigamos. Mas querer? Quer? Ele quer? Eu quero?

Eu quero dormir. Isso aliviou. A boca dele. Ah, a boca dele. O sorriso dele. O abraço dele. São dessas coisas que eu lembro. E eu amo tudo. Tudo. Tudo. Tudo. Tudo. Tudo. Cada detalhe. Cada flash de memória que tenho dele é visto com amor. Cada foto. Até as coisas meio ruins, por mais que eu discordaria se estivesse mais sã. Eu amo. Amo. Amo. Amo. Como amo. Amo ele. Eu amo. Amo. Amo. E isso é horrível. Era pra ser lindo, mas agora é horrível. E não tem uma saída. Só a morte. Mas eu quero morrer? Só quero sair. Só quero voltar. Só quero achar um caminho. Só quero que acabe. Só quero ficar bem ou não sentir mais nada. Mentira. Quero ficar bem. Quero ficar bem com ele. Talvez dê pra ficar bem sozinha. Talvez. Mas ele. Ele. Ele. Ele. Ele. Ele. Ele é importante.

Isaque, Isaque, Isaque, Isaque, Isaque, Isaque. Estou cansada de evitar o nome dele pra não me sentir triste. Estou cansada de evitar as redes sociais pra não sentir ciúme. Estou cansada de querer voltar e ainda ter todos esses erros de início: O ciúme, a paranoia, o grude. As coisas das quais ele não gostava. Algumas fazem parte de mim, talvez? Outras são fruto da minha depressão? Eu não sei mais onde eu começo e minha depressão termina, mas eu quero saber separar. Eu quero saber melhorar. Eu posso esperar. Se ele namorar, eu posso esperar acabar, se acabar. Eu posso. Mas talvez eu não possa, e talvez, um dia, eu não queira. Por isso tinha que ser agora. Ficar junto pra sempre a partir de agora.

Mas será que ficar junto agora, com tudo isso, não seria só algo desesperado? Algo. Uma tentativa louca de tentar juntar o que não dá certo numa esperança que um dia desse? Isso não é meio desesperado? Não é importante viver outras experiências? Tenho medo. Do que ele vai viver e do que eu vá viver e de ele me esquecer e de eu ser capaz de esquecê-lo. Mas se for pra ser, não será? Eu não acredito nisso. Mas. Mas. Mas se for pra ser, não será de qualquer jeito? Se eu e ele pudermos, não será? Ou será que o tempo distante nos fará mudar tanto que nos tornaremos quase irreconhecíveis, como aconteceu com o Hendry?

Não sei o que vai acontecer. Queria esse ato desesperado de se unir pra não se separar mais. Queria mesmo. Não me importo se é o errado. Eu só queria. Porque aí eu estaria com ele. Meus momentos de razão se mesclam com a emoção. Mas por que agir pela razão? Por que não agir pela emoção? Minhas visões políticas responderiam com facilidade. Mas no amor? No amor teria que sre assim também? Eu não sei. Não sei. Mas talvez. Somos todos talvez. Tudo é um talvez. Somos coisas. Somos pessoas. Somos máquinas. Somos seres humanos. Estamos destruídos e nos reformamos e resiliência. Resiliência. Isso me lembra que sempre aprendemos, mesmo com as coisas ruins. Foi um imbecil que me ensinou essa palavra. Mas não quero lembrar dele. Mas ele me ensinou algo.

Pessoas ensinam. Pessoas aprendem. Não sei o que é melhor. Não sei se vou descobrir. Só queria ficar junto. Quero tentar. Hoje. Mas um outro dia também pode ser. Eu aceito. Só queria ter a certeza de que ele voltaria. Talvez um dia eu não precise mais disso, mas agora preciso. E queria. Mas não sei se posso ter. Não sei. Não sei.

Não quero parar de digitar. Não quero voltar a lembrar. Falar com minhas palavras é como falar com ele. Então não penso em falar com ele. Quero voltar. Quero voltar. Quero tê-lo de volta. Quero tudo. Quero o tchau e o adeus. O adeus não. Era tão horrível. Era ruim voltar pra cá e deixá-lo lá. Ruim, ruim, ruim. Mas estava tudo bem porque ainda teria volta. Agora que acabou é pior. Horrível. Pior. Não sei o que quero. Quero ele de volta. Não sei. Não sei. Quero rasgar o meu coração. Quero rasgar meu peito. Quero mesmo. Quero que pare. Quero que a dor pare e quero me ver sangrando.

Mas eu vou dormir, eu acho. Por muitos motivos que não sei explicar. Estou com medo. Medo de parar de escrever. Medo de lembrar. Medo. Eu amo ele. Eu amo você, Isaque. Amo você. Queria poder dizer. Não posso mais. Deveria poder. Por que tudo é tão complicado? Amor. Amor, amor, amor. Amar é complicado. Feche os olhos. Feche os olhos. Feche os olhos.