Capítulo 01

Eliza sorriu para o vendedor, pegou o cookie que tinha escolhido na vitrine, após passar o dinheiro, e sentou na mesa mais perto do cinema. Estava no Shopping Diamound Mall esperando Sarah e três outros colegas de escola.

Aquele era o último ano de colégio, o último ano do ensino médio. Os colegas com quem convivera iriam cada um para uma faculdade, escolheriam cursos diferentes. Muitas coisas mudariam, era uma fase da vida que estava mudando. Talvez tivesse sido por isso que Arthur mandara uma mensagem para ela e para Sarah chamando-as para se encontrarem.

Antes de dar a primeira dentada no cookie, Liz viu Sarah subindo na escada rolante e se levantou para receber a amiga com um sorriso enorme nos lábios.

Sarah achou-a quando se virou para o pequeno café no meio do Shopping, apressou o passo. Eliza esperava-a com os braços abertos. Se abraçaram demoradamente.

- Senti sua falta! – Sussurrou Eliza, Sarah apertou-a um pouco mais e a soltou, afastando-se um pouco para olhá-la de cima a baixo, riu e revirou os olhos.

Eliza estava usando um vestido longo que moldava o corpo até a cintura e depois se abria até os pés, todo bordado com linha, todo da cor azul, bem hippie chique, tinha uma pequena rosa nos cabelos curtos, cortados em chanel, prendendo-os de lado. Estava de rasteirinha dourada, e carregava um colar de ponta de cristal no pescoço. Em cima do vestido usava um echarpe branco como se fosse uma blusa de frio.

- Você é única, Liz! Também senti sua falta. – Disse a amiga. – Chegou ontem mesmo de Dunas?

- Foi sim!

As duas se sentaram e um garçom veio atende-las na mesa, Sarah pediu um cookie de macadâmia e avelã.

- Então... Como diabos Gabriel conseguiu seu telefone? – Perguntou Sarah curiosa, Eliza riu da amiga e deu de ombros, mordeu um pedaço do cookie antes de responder.

- Ano passado ele pediu meu número por conta do trabalho de história que a professora escolheu os pares...

- Ah nem me fala desse trabalho – Resmungou Sarah. – Tive que fazer com o Tiago! Carreguei ele o trabalho todo!

Eliza riu.

- Tadinha, a Lili que sofreu com o Arthur! – Sarah revirou os olhos e riu também.

O cookie chegou com um suco de laranja para cada uma delas, as duas agradeceram o garçom.

- Falando nisso... Quê que ele quer hein? Marcar com nos duas, sem a Lili? Tá cheirando...

- Porcaria. – Concordou Eliza. Depois deu de ombros. – Ele deve querer ajuda... – Comentou distraída, puxou o suco para si e começou a bebê-lo.

Sarah estreitou os olhos para a amiga, Eliza tinha uma forma diferente de ver o mundo, uma forma única, meio fora da real. Não era à toa que ela e Alice gostavam tanto da amiga, Eliza era especial.

- Bom, ele não vai conseguir nada... – Começou Sarah, mas parou quando a amiga estalou a língua discordando.

- Ele pode ter caído na real e mudado... – Eliza olhava atentamente para trás da amiga, Sarah revirou os olhos e riu.

- Oh, vai ter que mudar muita coisa... Talvez... Nascer de novo...?

- Bom, nascer de novo não dá, mas estou realmente disposto a me comportar e a ser uma pessoa melhor.

Sarah olhou para trás para dar de cara com Arthur, Gabriel e Bernardo. Eliza já estava em pé cumprimentando os três, mas Sarah ficara estática olhando para o amigo, um tanto sem graça.

- Desculpem o atraso. – Comentou Arthur, se abaixou para dar um beijo no rosto de Sarah, cumprimentando-a, puxou uma cadeira da mesa do lado, sentou-se e chamou o garçom.

- E ai, Sarinha...? – Cumprimentou Gabriel, abaixando-se para dar um beijo no rosto da amiga.

- Arthur, Gabriel, Bernardo... Tudo bem, meninos? – Perguntou Sarah.

Eliza já havia se sentado novamente de frente para a amiga, e estava atacando seu cookie.

- Vai com calma ai, Liz, vai engasgar... – Brincou Gabriel, fazendo-a rir.

- Comprei esse antes da Sah chegar e não consegui comer até agora, será que posso?

- Sinta-se livre, garota! – Falou Arthur fazendo um gesto para que ela comesse.

Gabriel sentou-se ao lado de Sara e Bernardo ao lado de Eliza.

- E ai? Como foram as férias? – Começou Sarah, fazendo os três rirem. Arthur fez um barulho de negação e balançou a cabeça.

- Não desconverse, Sarinha, pedimos por essa reunião porque temos um foco.

Sarah olhou o amigo por um tempo, fazendo a melhor cara de tédio que conseguiu, então suspirou.

- Vocês três? – Perguntou descrente.

- Na verdade, só o Yakko aqui, mas ele precisa de apoio moral, então... – Disse Gabriel.

- Desde quando Arthur precisa de apoio moral? – Perguntou Eliza, levantando a sobrancelha.

O garçom aproximou-se novamente e cada um dos meninos pediu uma coisa para beber e um cookie, Eliza aproveitou para pedir mais um cookie.

- Er... Ela tem um ponto Yakko. – Bernardo comentou divertido, mas Arthur fez um gesto com a mão.

- Eles não aguentam mais me ver sofrer. – Arthur dramatizou fazendo os outros rirem.

- Tá, não tão assim... – Interviu Bernardo. – Mas a gente realmente não aguenta mais ele se lamentando pelos cantos, resmungando, chateado com cada fora da Alice.

- Achamos que depois do trabalho de história do fim do ano passado as coisas poderiam mudar. – Concordou Gabriel, olhando para Arthur com cumplicidade. – Mas parece que o Yakko aqui só afastou mais a ruiva...

- Bom... – Interviu Eliza, ponderando. – Se ele não tivesse sido tão mandão para fazer o trabalho, e deixado a Lili ter tomado algumas decisões...

- Eu disse, Yakko. – Comentou Bernardo.

- Mas eu só não queria que ela tivesse trabalho... – Defendeu-se Arthur, Gabriel concordou com o amigo, um tanto revoltado.

- E você deveria ter deixado ela falar na hora da apresentação... – Comentou Sarah.

- Pera aí, Sarinha, era para "Lili não ter trabalho". – Disparou Gabriel, fazendo a morena revirar os olhos.

- Entendi, você queria usar do seu cavalheirismo, Arthur, mas fez isso errado. – Falou Eliza divertida, deixando Gabriel e Arthur revoltados. O garçom voltou com o outro cookie de Eliza, as bebidas e os outros cookies.

Eliza percebeu que o cookie que deram para Bernardo era de velvet, edição especial do natal, e franziu o cenho. Não tinha o visto exposto, virou-se para trás para conferir e viu que tinham colocado na vitrine, então olhou desanimada para o próprio cookie.

- Que foi Liz? – Perguntou Gabriel, observando a amiga, Eliza deu de ombros.

- Prefiro os cookies de velvet. – Comentou desanimada, pegando o próprio cookie.

Bernardo pegou o cookie da mão da amiga e trocou pelo dele.

- Sério? – Perguntou Eliza animada, Bernardo deu de ombros e concordou. – Brigada Bê! – Comentou Eliza mordiscando o cookie devagarzinho.

Sarah sorriu para a animação da amiga, reparando no gesto de Bernardo, olhou-o atentamente por um tempo, então virou-se para Arthur. Gabriel olhou Bernardo com uma sobrancelha levantada, o amigo fez um gesto para que Gabriel deixasse para lá, fazendo-o segurar o riso.

- De qualquer forma, "Yakko" tirar o "trabalho" dela, fez ela se sentir uma inútil e... Bom, a Lili gosta de fazer as coisas do jeito dela, não é? Seria melhor vocês terem sentado e divido o trabalhado, teria dado mais certo. – Disse Sarah.

- Eu disse isso pra ele, mas... Quem sou eu não é? – Interviu Bernardo, Arthur fuzilou-o com o olhar.

- De qualquer forma. Queremos a ajuda de vocês. Pro Yakko, quero dizer. – Emendou Gabriel.

Eliza e Sarah trocaram olhares cumplices, então Sarah suspirou e concordou.

- Bom, vamos ter que mudar algumas atitudes, não é Arthur... Por exemplo, você precisa parar de ser galinha, a Lili não vai ficar com você só por ficar com você...

- Mas eu não quero ficar com a Lili, eu quero namorar ela. – Falou decidido.

- Viu? Eu disse que o caso era sério. – Comentou Gabriel, fazendo Bernardo rir.

Eliza e Sarah se entreolharam novamente, ponderando. Arthur achou que elas eram capazes de lerem os pensamentos uma da outra. Sentiu-se irritado com isso, elas poderiam verbalizar o que estavam pensando, detestava se sentir por fora, ainda mais quando era sobre algo que tinha uma ligação direta com ele e seu futuro com a ruivinha.

- Talvez... – Começou Eliza, mas Sarah balançou a cabeça em dúvida. – Vamos Sah, se ele realmente se esforçar...

- Bom, ele parece que quer se esforçar, marcou com nos duas. – Concordou Sarah.

- Eu quero. De verdade. Eu... – Arthur observou as duas, exasperado, teria que falar aquilo para convencer as meninas. Já sabia o que sentia por Alice há tempos, mas tentara não verbalizar, nem mesmo para os amigos, quanto mais para si mesmo. – Olha, eu estou... Eu sou apaixonado pela Alice, tudo bem? É sério. Preciso da ajuda de vocês. – Falou, por fim. Bernardo levantou a sobrancelha com o comentário do amigo e Gabriel apenas deu um leve tapinha no ombro de Arthur, como se o consolasse.

Sarah e Eliza abriram um enorme sorriso com a declaração de Arthur. Eliza virou um pouco a cabeça para o lado, sorridente.

- Eu avisei... – Cantarolou, Sarah revirou os olhos e sorriu.

- Você é uma bruxinha. – Falou carinhosamente para a amiga, então virou-se para Arthur. – Tá bem. Qual sua ideia?

Arthur olhou para as duas sem ação, não sabia que conseguiria convencê-las tão fácil, se soubesse que era só falar que estava apaixonado por Alice já teria feito isso há mais tempo, quando descobrira o que sentia! Gabriel chamou a atenção do amigo do outro lado da mesa, e lhe lançou um olhar duvidoso, mas Bernardo riu.

- Ele não tem ideia nenhuma, Sarah. – Disse risonho, Arthur deu um leve empurrão do amigo fazendo-o rir.

- Imaginei... – Comentou Sarah divertida então ela e Eliza se olharam por um tempo, ambas pareciam pensativas.

Não tinham muito o que fazer, Arthur teria que mudar as atitudes, e, pelo visto, ele já percebera, então as meninas teriam que ajuda-lo nisso, mas poderia levar tempo e Alice tinha mania de evita-lo. Se ele estava na cantina, ela esperava até que ele saísse para ir comprar alguma coisa para comer, ou nem comia, se ele estava no banheiro do lado da sala, ela usava o banheiro feminino do outro lado do corredor.

Teriam que fazer com que Alice quisesse passar algum tempo perto dele. Ou que não se importasse de estar perto dele.

- Talvez... – Começou Sarah. – Talvez se você parar de infernizar ela para sair...

- Eu já parei! – Cortou Arthur, balançando negativamente a cabeça. – Depois do trabalho nem falei mais com ela, só no último dia que desejei boas férias!

- E ela ficou irritada. – Concordou Eliza, risonha, fazendo Arthur suspirar desanimado.

- Foi...

- Sim, mas... Como eu disse, você vai ter que mudar algumas coisas a mais. – Continuou Sarah, Arthur concordou.

- Você precisa parar de se esforçar para ser o centro das atenções, Art. – Disse Eliza, Gabriel e Bernardo riram.

- Difícil isso ai, hein Liz... – comentou Bernardo, Eliza olhou para Arthur esperançosa.

- É sério, Art! Digo... Tenta parar de chamar tanta atenção. – Disse, Arthur franziu o cenho.

- Mas eu chamo atenção mesmo sem querer! Não tenho culpa se sou bom nos esportes, se os professores me adoram...

- Se é exibido, se gosta de fazer gracinhas na sala, se canta qualquer menina que cruza o seu caminho... – Continuou Sarah, Arthur passou a mão no rosto, desanimado.

- Eu parei com isso! – Sussurrou a contragosto, Gabriel riu.

- É mas continua engraçadinho, Yakko. – Comentou.

- Vocês querem que eu pare de rir? Mas isso... Isso não vai dar certo! Eu sou brincalhão!

- Não! Você não pode perder sua essência, Art. – Interviu Eliza, ela acabara de tomar o suco todo e Bernardo passara o dele para ela. A menina sorriu. – Tem certeza?

- Absoluta, não quero mais não, pode ficar. – Disse, a menina concordou pegando o suco.

Quando Bernardo voltou para os outros, eles o olhavam atentamente. Gabriel com uma sobrancelha levantada, Arthur com uma expressão de descrença, e Sarah apenas o encarava atenta. Bernardo deu de ombros com um sorriso sincero, e as atenções voltaram para Eliza.

- De qualquer forma... – Voltou a falar Eliza, e apontou o canudinho para Arthur. – Você precisa destacar suas qualidades e... Bem, você tem que sumir com os defeitos.

- Quais defeitos? – Perguntou Arthur fazendo todos eles rirem. – Não, não, sério! Eu sei que tenho defeitos, mas quais os que a Alice mais detesta?

- Bom, você se acha, e quer ser o centro das atenções sempre, você se esforça pra chamar atenção. – Começou Eliza, os outros concordaram.

- Você tem a péssima mania de ficar fazendo piadinhas na aula, e brincando, atrapalha os colegas, a gente sabe que você consegue acompanhar, mas nem todo mundo consegue, então volta pra questão de chamar a atenção para si e atrapalhar os colegas... – Pontuou Sarah.

- Yakko, você é mulherengo. – Disse Gabriel, Arthur revirou os olhos e assentiu. – Vai precisar focar só na Alice, de verdade.

- Isso eu já estou fazendo, Wakko. – Concordou Arthur.

- Só pra reforçar. – Disse Gabriel, dando um tapinha nas costas do amigo.

- Arthur, você é um pouco arrogante. – Disse Bernardo, Arthur e Gabriel olharam para o amigo, que deu de ombros. – Eu não me importo com isso, mas acho que desagrada a Lili...

- Desde quando ela virou Lili pra você? – Perguntou Arthur com ciúmes, Bernardo riu.

- A Lili nunca teve problemas com o Bernardo, Art, eles são representantes de turma juntos, fazem parte do conselho. – Comentou Eliza.

- Verdade! Nunca tinha pensado nisso... – Comentou Arthur, tendo uma ideia. – Talvez, esse ano eu possa me candidatar!

- Não vai dar certo. – Interviu Sarah, rindo.

- Por quê? Acha que não dou conta? – Desafiou Arthur, os outros riram da revolta do amigo.

- Ninguém, em sã consciência, votaria em você Arthur. – Sarah sorriu para ele, fazendo-o abaixar a cabeça confuso, afinal, Arthur era popular, ela suspirou. – E o conselheiro de turma não deixaria você ser representante, eles preferem que o Bernardo seja, assim, ele tenta controlar vocês...

- Mas ele nunca conseguiu. – Falou Gabriel animado, fazendo Sarah lançar-lhe um olhar de desprezo.

- Não? – Perguntou Eliza sorrindo sinceramente para Gabriel que franziu o cenho e ficou quieto.

- Talvez... Algumas vezes. – Sussurrou por fim.

- Estamos perdendo o foco! O que mais? – Perguntou Arthur, Sarah virou-se para o amigo.

- Você é orgulhoso, também, nunca vi admitir que estava errado, sempre arruma uma desculpa e a Lili detesta isso. Mas o principal, e o mais importante de tudo...

- Você tem que parar de pedir para sair com ela. – Disse Eliza. Os meninos olharam para ela, confusos.

- Eu já tinha parado! Mas olha! Isso não vai dar certo! Se eu parar de vez, como vou fazer pra ter um momento com ela? Pra mudar, e pra ela conhecer esse "Novo Arthur"?

- Durante o ano, Art. – Respondeu Eliza, Bernardo olhou-a por um tempo e então concordou, os outros pareceram não gostar muito da ideia.

- Não, não, tem que ser algo mais rápido, Liz, é a última chance do Arthur com a Lili, e se ele quer que dê certo... Vai ter que fazer as coisas de uma forma mais rápida... – Discordou Sarah, pensativa.

- O quê então? – Perguntou Arthur.

- Talvez... Talvez se você fingir que está apaixonado por outra...? – Começou Sarah, indecisa. Arthur e Gabriel se aproximaram, da mesa atentos, a menina suspirou. – Talvez se você fingisse que está apaixonado por outra, e mudasse, ela perceberia, perceberia você... Convenhamos, você é realmente bonito, Arthur, parece um índio de filme americano, tem um corpo legal, seu cabelo é legal... Se você parar de se exibir, e de ser tão cabeça dura e orgulhoso, pode ser um cara bem legal... Talvez se ela perceber que você...

- Não vai dar certo. – Falou Bernardo, fazendo uma careta, Eliza concordou com ele.

- É claro que vai! A gente só precisa que alguém que saiba do plano aceite ai o Arthur finge que tá namorando com ela e faz ciúmes na Lili... – Insistiu Sarah, Eliza lançou um olhar de piedade para a amiga.

- E quem iria fingir? – Perguntou Bernardo apreensivo. – Você?

- Tá louco? A Liz! – Sarah apontou para a amiga, que simplesmente fez um não com a cabeça.

- Vou magoar a Lili a toa, Sah. – Ponderou Eliza.

Arthur pegou as mãos de Eliza, sentia-se animado com a ideia.

- Vai Liz! Diz que sim! Preciso da sua ajuda! Isso vai dar certo! – Implorou, mas a garota balançou negativamente a cabeça de novo.

- Voltamos pro sexto ano do fundamental, foi? Cês tem o quê? Onze anos?! – Perguntou Bernardo, irritado, tentando fazer com que Arthur soltasse as mãos de Eliza, que o rapaz fez a contra gosto.

- Não tem outra ideia! Vocês por acaso têm? – Perguntou Gabriel irritado.

Eliza sorriu, e deu de ombros:

- Bom, eu tenho uma ideia.

- Tem? – Perguntou Sarah descrente, a amiga assentiu.

- Todo ano a escola espera alguma coisa do terceiro ano que está formando, e se a gente pedir para o professor Ricardo para fazermos uma peça de teatro? É o último ano do colégio, a gente pode contar tudo pro professor e pedir pra fazer a peça, pre escalando Arthur e a Alice para o papel principal...

- Nossa, tô vendo muito furo nisso ai, Liz... – Comentou Gabriel descrente, mas Bernardo estava olhando a amiga atentamente e fez um gesto para que Gabriel deixasse-a terminar de falar.

- Não, olha, vai dar certo. Sempre achei que a sinceridade é a melhor forma de conseguirmos as coisas. É o último ano, o professor vai ficar com dó do Arthur, todo mundo sabe que todos os professores adoram o Arthur, então... Acho que ele vai aceitar.

- E qual seria a peça? – Perguntou Sarah, observando a amiga atentamente. Eliza sorriu animada.

- A Megera Domada. Shakespeare. – Disse Eliza, Sarah e Bernardo riram.

- É, seria perfeito. – Concordou Sarah.

- Acho que a Liz tá viajando... – Começou Arthur, descordando, mas Sarah segurou o braço dele para que ouvisse.

- Não, pode dar certo sim. A gente tem que fazer alguma coisa, podemos contar pro Ricardo, ele vai fazer as audições. Vou pedir para ajudar a dirigir a peça então vocês estão garantidos como Petruchio e Catarina.

- A Alice nunca vai aceitar isso. – Sussurrou Arthur desanimado, mas as meninas negaram.

- Deixa a Lili com a gente, Arthur! – Falou Sarah confiante.

Arthur observou os amigos por um tempo. Gabriel estava pensativo, mas os outros três pareciam animados, Bernardo não havia se contraposto a ideia, então ela não parecia ser tão irreal assim.

- Tá, mas e até lá...? – Disse Arthur começando a concordar com todo o plano.

- Até lá você via mudar sua postura. – Falou Eliza.

– Vai sair lá do fundo e antes do mapa de sala ficar pronto, você vai sentar lá na frente, com a gente. Vou conversa com a Tereza, a professora de português do terceiro ano que vai ser a conselheira da nossa turma, se você prometer não atrapalhar a aula, ela vai deixar que se sente perto da gente. Eles nunca mudam nossos lugares no mapa de sala e a Alice gosta de sentar na primeira carteira na frente do professor, então, você vai ter que sentar no lugar dela, você é alto, e sentado ao lado da parede não vai atrapalhar ninguém.

- Ela vai me detestar mais ainda! – Descordou Arthur, mas Sarah segurou o braço do amigo de novo para que ele a acabasse de ouvir.

- Só no início, depois ela vai se acostumar com a ideia. Chega cedo amanhã, Arthur, a Lili vai tentar chegar vinte pras sete na escola para pegar o lugar que ela gosta, você precisa está lá as seis e meia... – Disse, soltou o braço de Arthur, ao perceber que eles estava pensando na ideia.

- Sério, Sah? Cedo assim? – Perguntou desanimado, Sarah lançou-lhe um olhar de bronca.

- Você quer ou não namorar a Lili?

- Quero!

- Então me ajuda a te ajudar! – Falou Sarah, Arthur cruzou os braços e bufou.

- Eu chego com você Yakko. – Disse Bernardo, Arthur lançou um sorriso de agradecimento ao amigo, Gabriel revirou os olhos e suspirou.

- Tá, eu chego também. – Disse por fim, Eliza riu.

- Nunca vão deixar vocês três sentarem juntos. – Falou a menina, Gabriel deu de ombros.

- Custa nada tentar...

- Enfim! Tá, então vamos sentar assim: Arthur na primeira mesa da parede em frente ao professor, depois Gabriel e então Bernardo. Ao lado Arthur será a Lili, a Liz atrás da Lili e eu na frente, ao lado da Lili. Tudo bem? – Os quatro concordaram e Sarah sorriu.

- Você vai ter que se comportar Art. Preocupa não que a gente te ajuda. – Eliza sorriu para o amigo.

Aquela era a primeira vez que eles sentavam e tinham uma conversa verdadeira. Arthur não sabia que elas eram legais, ou que poderiam ser boas amigas, sempre as vira muito distante. Sarah e Alice viravam a cara para eles constantemente. Apenas Eliza era simpática, mas ele a achava um tanto doidinha para ter uma conversa civilizada.

Agora estavam ali, armando um plano para tentar fazer Alice gostar dele. Parecia impossível, mas, bom, era o último ano, ele não tinha mais nada a perder, essa era sua última chance de conquistar a ruivinha e Arthur decidiu que faria tudo para dar certo.

- E ai? Quem anima um cinema? – Perguntou Bernardo esperançoso, olhando para Eliza.

As amigas se entreolharam e deram de ombros, concordando.

Os cinco levantaram da mesa, pagaram e agradeceram o garçom e andaram para a bilheteria do cinema.