Ela passava todos os dias pelos corredores, dava aquelas risadas estranhas, de quem riu de coisa que não devia. Era doce, como sua voz e nome, e sempre cumprimentava a todos, como se cada um fosse realmente único e importante.

Às vezes quando não percebia ser observada lançava olhares estranhos para o nada, ele até chegou a dizer para ela:

— Às vezes você tem um olhar tão choroso, garota.

Coisa que ela respondeu com aquela risada estranha:

— Minha alma chora todo dia, moço.

Quando ele viu no jornal local a notícia não conseguiu acreditar, todos aqueles corpos boiando na piscina, na festa que ele mesmo não conseguiu ir, pois não conseguiu trocar de plantão.

Na entrevista para o jornal, daqueles policiais sensacionalistas, a legenda era uma pérola: "Nome de sereia, assassina como uma.".

Sua entrevista para o repórter o fez quase cair da banqueta de atendimento, pois novamente a risada estava ali, porém estridente demais, como uma sirene.

— Por que você matou todos eles?

— Eu não matei ninguém, eu juro. Podem puxar a câmeras, eu não estava perto da piscina.

— Existe pontos cegos na gravação, isso é evidente, apenas você ficou viva dentro da casa, como explica isso?

— Aquafobia. - riu.