Coisas aprendidas desde que a quarentena começou: Quarentena é um saco. Não que eu esperasse que fosse uma maravilha, mas achei que, por ser introvertida, eu fosse ter algum conforto nisso tudo. Ledo engano.

Fui produtiva nas primeiras semanas trancafiada em casa: combinei de escrever contos com um amigo, participei de um círculo de conversa sobre poemas, zerei alguns jogos que estavam mofando na minha steam, tirei o atraso de alguns animes... Minha psicóloga ficou, ó, orgulhosa. Mas era previsível que uma hora ou outra eu ia quebrar. Todos estamos quebrando, né? É meio difícil não ser completamente esmagado por essa sensação de solidão/impotência. Se eu comento que estou tendo dificuldades de dormir, literalmente todo mundo na conversa grita um "eu também!". São os tempos que estamos vivendo.

Tive que desativar as redes sociais. Bom, vamos em ordem: Primeiro, eu parei de escrever. Depois, parei de participar do círculo de poemas. Larguei os jogos. Deixei de conseguir assistir coisas. Antes que percebesse, eu estava acordando 14h todos os dias e passando o dia inteiro vendo postagens que variavam entre notícias absolutamente trágicas e memes imbecis. Essa loucura começou a me deixar cada vez mais enjoada, e comecei a ficar morrendo de ansiedade imediatamente depois de acordar. E antes de dormir. E o tempo todo. Então, desativei/me afastei das redes sociais.

Depois de fazer isso, tive meu dia mais saudável desde março. Nada estupendo, mas consegui assistir alguns episódios de animes, conversei com uns amigos (subitamente a gente percebe que a gente não conversa muito com as pessoas na loucura do dia a dia, né?) e aproveitei a sensação de não estar com falta de ar. Na sua cara, ansiedade.

Recentemente descobri que não dói se forçar a fazer algumas coisas. Bom, redescobrir é a palavra certa, eu acho. O "ruim" de melhorar da depressão é que você esquece como lidar consigo mesma quando está triste. Nas minhas fases mais deprimidas, eu tinha que me forçar a sair da cama, a ir para a faculdade, a assistir um episódio de algo que eu amo... Nesta quarentena, preciso me forçar de novo. É isso ou terminar fazendo quadrados no desktop com o mouse a tarde inteira.

Algo triste: Se foco demais na minha respiração, fico com falta de ar. Como agora. Fui inventar de mencioná-la no texto e me ferrei. Por que um dos sintomas do corona vírus tem que bater com o de ansiedade, né? Até fumei esses dias, pra ver se aliviava alguma coisa. Há! Surpresa pra quem não sabia que eu já tinha fumado na vida (foi uma coisa de tipo um ano... durante a monografia. Acontece). E céus, esse texto está ficando esquisito. Estudei sobre isso na faculdade. Como chama mesmo? Fluxo de consciência. Basicamente estou fazendo o de sempre, que é tagarelar. Mas me conforta.

Não sei mais o que dizer agora. Tem tonalizante roxo do meu lado, mas estou evitando mais problemas, então nada de pintar o cabelo. Ah, também tem o meu termômetro. Tirar a minha temperatura é quase que um novo hobby. Péssimo, eu sei. Mas até que estou maneirando... Eu tiro a cada uns dois/três dias? Não é todo dia não. Ainda não estou louca.

Enfim... Ficar em casa e não enlouquecer. Na moral? Acho que a gente consegue.

Eh isto.