Título: Magia Minha

Autoria: Dream-Devil

Género: Ação, Fantasia

Capítulos: 20

Sumário: Começa mais um ano na Escola Mágica Seven Stars. Com a chegada dos alunos, formam-se amizades, rivalidades e há também quem queira ver a escola destruída. Num mundo de magia e aventura, tudo pode acontecer.

Capítulo 1: Quem anda à Chuva, Molha-se

Ao contrário do que acontecera nos anos anteriores, quando chegou o dia da véspera do início das aulas, o dia não estava solarengo e ameno. Chovia bastante. Quando chegaram as quatro da tarde, os habitantes da cidade Moondale podiam avistar os alunos da escola mágica Seven Stars a andarem ou a correrem em direção à escola, que ficava no topo de uma colina. A escola era um grande edifício, bastante moderno e muito grande, com várias alas e pisos. À volta da escola havia um grande lago, alguns campos para práticas de desporto, uma floresta que se estendia para este e do lado oeste havia uma elevação montanhosa, de onde se tinha uma ótima vista nas noites de luar. Por trás da escola, havia um edifício onde viviam os professores e funcionários. Por fim, a sul da escola, mais perto da cidade, localizavam-se as moradias dos alunos.

Enquanto alguns dos alunos tinham tido a sensatez de levarem um chapéu-de-chuva consigo, outros passavam a correr com gabardinas às costas. Havia também aqueles que se tinham lembrado de utilizar um feitiço repelente da chuva, para não se molharem e havia ainda outros cujos pais tinham feito questão de os levar de carro até à porta da escola, para não ficarem ensopados.

No hall de entrada da escola, vários alunos se juntavam. Alguns ficavam a conversar com outros colegas e amigos, enquanto os recém-chegados eram supervisionados e ajudados pelos auxiliares da escola, que realizavam feitiços para secar as roupas dos alunos ensopados pela chuva. Havia também alguns alunos que depois de chegarem dirigiram-se de imediato ao grande salão da escola, uma vez que era lá que eventualmente todos se iriam juntar.

Madison Lancaster passou pelas portas de entrada e entrou no hall, suspirando. Não se tinha molhado minimamente, apesar de ter vindo a caminhar pela colina. Madison, com dezassete anos, cabelo castanho claro pelos ombros e olhos castanhos também, tinha a habilidade de barreira de energia, pelo que ao usá-la, os pingos de chuva tinham embatido na barreira e não na própria. Enquanto Madison olhava à sua volta, pensando em perguntar onde se teria de dirigir, um rapaz destacou-se da multidão e aproximou-se dela, sorrindo.

- Olá. Vejo que estás algo perdida, o que é normal, visto que és nova aqui - disse o rapaz. - Mas não te preocupes. Podes vir comigo e eu levo-te até ao salão principal, onde se vai realizar o discurso do diretor, para assinalar o início do ano. Bom, isso já sabias, com certeza, porque todos os alunos receberam cartas para comparecerem aqui hoje. Já agora, o meu nome é Justin.

- Ah, prazer em conhecer-te. Hum, eu chamo-me Madison. Podes então ajudar-me a chegar ao salão, por favor?

Justin acenou afirmativamente e os dois começaram a caminhar. Justin Valentine tinha a mesma idade de Madison, cabelo castanho curto e olhos verdes. Enquanto Madison sempre fora tímida e insegura, tendo dificuldades em fazer amigos, Justin era mais aberto, gostava de falar e conhecer novas pessoas. Apesar de tímida, Madison sempre gostara de ajudar os outros e a inteligência era uma das suas virtudes, enquanto Justin tinha um grande sentido de justiça.

- Vejo que conseguiste escapar à chuva sem te molhares - disse Justin. - Eu usei um feitiço para repelir a chuva. Fizeste o mesmo?

- Não, nem por isso. Foi graças à minha habilidade. Consigo criar um escudo de energia e, portanto, criei um à volta do meu corpo. Por isso, a chuva não atravessou o escudo. Mas não uso a minha habilidade ativamente muitas vezes, porque passado um tempo começa a deixar-me cansada, já que consome a minha energia - explicou Madison.

Depois calou-se, sem saber o que dizer mais. Normalmente nem falava muito com estranhos, mas Justin parecia simpático e fora atencioso ao dizer-lhe que poderia levá-la até ao salão. Justin acenou com a cabeça, pensativo.

- Escudo de energia, hum, é uma habilidade interessante e deve dar jeito nalgumas situações. Pelo meu lado, a minha habilidade é ter visões. Por vezes, é algo muito aborrecido, até porque na maioria dos casos, não as consigo controlar.

- Mas também podem dar jeito.

- Podem, mas normalmente são apenas incomodativas. Imagina estares a tentar ter uma boa noite de sono e teres alguma visão que te acorda e te deixa com medo ou algo assim? Bom, mas não vale a pena estar a maçar-te com isso - disse Justin, abanando a cabeça. - O que importa é que ontem tive uma visão e sabes, vi-te nela. Aliás, vi-nos aos dois. Percebi logo que não te conhecia e que serias uma aluna nova. Estávamos numa das casas dos alunos, pelo que me parece que com quase toda a certeza vamos ser colegas de casa. Por isso, decidi esperar para ver se tu aparecias e quando te vi no hall, reconheci-te logo.

Madison pareceu surpreendida. Era estranho que alguém tivesse uma visão consigo, mas se Justin assim o dizia, não tinha razão para desconfiar dele. Os dois caminharam por um longo corredor, onde outros alunos estavam também a caminhar e depois viraram à direita, entrando num grande salão. Tinham sido postas várias cadeiras para todos se sentarem e muitas delas já estavam preenchidas por alunos que tinham chegado antes e se tinham sentado. Ao fundo do salão havia um palco, que era normalmente utilizado para as peças de teatro ou para os discursos, como era o caso desse dia. O salão tinha alguns vitrais que Madison achou bastante bonitos. Madison e Justin sentaram-se em duas cadeiras a meio da fila.

- Há quanto tempo é que estás nesta escola? - perguntou Madison.

- Este vai ser o quarto ano - respondeu Justin, sorrindo-lhe. - Vais gostar de estudar aqui, tenho a certeza.

- Tiveste alguma visão com isso também?

- Não - respondeu Justin, com uma gargalhada. Acenou a um aluno que conhecia. - Não é preciso ter uma visão para isso. A escola Seven Stars é ótima. Tem bons professores, áreas de estudo interessantes, equipamentos e lugares para todo o tipo de atividades e as casas estão bem equipadas.

Madison acenou afirmativamente. Nesse momento, uma jovem de cabelo ruivo passou por eles e sentou-se numas cadeiras mais à frente. Não falou com ninguém. Madison achou-a curiosa, mesmo no meio de tantos alunos. Justin percebeu o seu olhar e apreçou-se a mostrar mais conhecimentos sobre a escola e quem a frequentava. Já conhecia a maior parte dos alunos, uns em mais pormenor do que outros.

- Aquela ruiva é a Aurea Artland. É do meu ano, apesar de termos sempre ficado em turmas diferentes. Já está na escola desde a mesma altura que eu, também, mas é pouco faladora. Não que seja propriamente mal-educada, nem nada, mas gosta de estar sozinha e que não a aborreçam.

- Sei o que isso é - disse Madison, acenando afirmativamente com a cabeça. – Quer dizer, não que eu gosto de estar sempre sozinha, mas às vezes é preciso um pouco de espaço e nem sempre as pessoas percebem isso.

Aos poucos, o salão foi ficando mais cheio. Nicholas Blake, um rapaz de dezassete anos, com olhos cinzentos e cabelo preto, curto e espetado, entrou no salão e acabou por se sentar numa das cadeiras do fim da fila. Cruzou os braços, suspirando. Não estava muito contente por estar ali, mas tinha de ser, já que fora expulso da sua escola anterior.

- São muitos alunos, mas não me parece que sejam tantos como na outra escola - pensou Nicholas. - Só espero que isto não seja um aborrecimento total. Deviam ensinar-nos mais coisas interessantes e não feitiços completamente inúteis ou poções que no fim de contas não servem para quase nada.

Enquanto Nicholas ficava pensativo, mais alguns alunos entraram no salão. Entre eles estava Lianna McGregor, que entrou no salão como uma diva. Trazia um vestido rosa choque, que contrastava com o seu cabelo loiro, comprido e bem tratado. Parecia que ia para uma festa de gala e não para uma reunião da escola. Mas Lianna gostava de chamar a atenção e sabia como fazê-lo. Muitos rapazes ficaram a olhar para ela, maravilhados. Ela ignorou-os por completo. Atrás dela vinham Camilla Slater e Margot Kendrik, que andavam sempre junto de Lianna. Camilla, que tinha cabelo comprido roxo, trazia um vestido roxo também e Margot, mais baixa que as outras duas, com cabelo preto pelos ombros e óculos de aros finos, envergava uma simples camisola azul e jeans. Lianna tinha-se certificado de que seria a mais bonita e extravagante e não deixara Camilla levar nada melhor, para que não a ofuscasse. As três sentaram-se numas das cadeiras mais perto do palco.

- Lianna, causaste sensação - disse Camilla. - Ficaram todos a olhar para ti. Acho que até vi um ou dois rapazes a babarem-se. E algumas raparigas ficaram verdes de inveja. Se ficassem mais verdes, pareceriam alfaces.

- Eu sei, Camilla - disse Lianna, compondo a gola do vestido. - Eu sou o máximo, portanto nem se podia esperar outra coisa. Todos me adoram. Ok, talvez não todos, mas pelo menos os rapazes e as lésbicas adoram-me. As outras raparigas têm apenas inveja, o que só por isso as faz reparar em mim, portanto eu sou o centro das atenções na mesma.

- Eu prefiro não ser o centro das atenções – disse Margot.

- Pois, mas para ti ninguém olharia duas vezes, nem que entrasses aqui vestida de ouro, Margot.

Camilla abanou a cabeça e riu ligeiramente, apesar de não estar nada contente porque também queria brilhar e que reparassem nela, mas Lianna acabava por a ofuscar sempre. Lianna acenou a um professor que passou por ela e o professor acenou-lhe de volta. Quando ele desapareceu de vista, Lianna suspirou. Era tão cansativo ter de ser politicamente correta para os professores e bajulá-los, quando lhe apetecia dizer que eram todos uns chatos. Porém, Lianna sabia como jogar as suas cartas e sendo simpática para os professores, assegurava que eles gostavam dela e até fechavam os olhos quando ela se punha a maquilhar-se no meio das aulas. Já Margot, não ligava tanto a ser reparada, ter a atenção dos professores ou usar vestidos caros, pelo que olhou para o seu relógio de pulso, estando algo impaciente. Nem sequer ligou ao comentário da amiga. Não se considerava bonita, nem queria as atenções sobre si mesma.

- Será que ainda vai demorar muito? - perguntou ela. - Estou desejosa de saber em que casa é que vamos ficar este ano. Talvez fiquemos juntas.

Todos os anos, o diretor da escola fazia um discurso no dia anterior às aulas começarem, para dar as boas vindas aos novos alunos e também desejar um bom regresso aos alunos que voltavam para mais um ano escolar. Depois do discurso, era posta no hall de entrada a lista de que alunos ficariam em cada casa. Havia três opções quanto à frequência da escola e à estadia. Ou os alunos tinham lá aulas e continuavam a viver na casa dos pais, o que acontecia para alguns alunos cujos pais viviam mesmo na cidade Moondale ou perto ou os pais dos alunos alugavam uma casa na cidade, para os filhos viverem. A última opção e também a mais usada, era os alunos irem viver para as casas dos alunos.

As casas eram um agrupamento de moradias que existiam a sul da escola, entre a escola e a cidade. Cada casa tinha capacidade para seis alunos e apesar de no exterior as casas parecerem bastante pequenas, no interior eram grandes e confortáveis, graças aos feitiços que tinham sobre si. Todos os anos, os alunos que queriam ficar nas casas se inscreviam e no dia anterior ao início das aulas era revelado para que casa iriam viver nesse ano e com quem iriam partilhar a casa, o que deixava os alunos entusiasmados e também ansiosos. Afinal, podiam ficar a viver com outros alunos que lhes eram completamente desconhecidos e podiam ser alunos de qualquer um dos anos da escola.

- Eu espero que não fique a viver com nenhuns colegas rudes e sem classe - disse Lianna, suspirando de seguida. - Devia haver a possibilidade de quem tem dinheiro, ficar numa casa privada aqui na escola, mas não, só fora. E os meus pais querem-me a viver aqui no recinto, apesar de termos bastante dinheiro para me alugarem uma casa fora daqui.

- O diretor diz que é bom que se conviva com todo o tipo de pessoas, para promover a igualdade e não estar a separar os alunos pelos que têm posses ou não - disse Margot.

- Eu acho isso tudo uma grande estupidez, mas enfim, como não há nada que eu possa fazer, tenho de aguentar.

Outros alunos entraram no salão e sentaram-se também. Entre eles estavam Cedric Cassidy e Deedra Hammer, dois alunos do terceiro ano, que falavam alegremente um com o outro. Havia também Logan Farr, um rapaz novo na escola e Alishia Street, que se sentaram numa das filas do fundo, trocando algumas palavras com as pessoas à sua volta. Shawn Wellman foi dos últimos a chegar. Vinha de cabeça erguida de maneira altiva, como se a sua presença ali fosse muito importante. Shawn tinha dezassete anos, cabelo loiro curto e olhos azuis. Ali na escola, gostava de ter tudo o que queria e não hesitava em manipular quem fosse preciso.

- Espero que isto seja rápido - pensou ele. - Tenho mais que fazer do que estar aqui parado à espera de um discurso sem qualquer interesse. Afinal, já conheço a escola e tudo por aqui, portanto não deve haver qualquer tipo de novidades.

Passaram alguns minutos e às quatro e meia em ponto, o diretor da escola, Mitchell Rockland, um homem alto, de cerca de quarenta anos e possuindo uns olhos cinzentos e penetrantes, subiu ao palco. De imediato, todas as conversas e murmúrios cessaram e todos se focaram no diretor.

- Boa tarde a todos. Para quem ainda não me conhece, eu sou o diretor da escola mágica Seven Stars e chamo-me Mitchell Rockland. Quero desejar a todos os novos alunos a maior das sortes e espero que deem o vosso melhor para terem boas notas. Quanto aos outros, que já estavam aqui no ano passado, já sabem como a escola funciona e espero que se empenhem tanto ou mais do que no ano anterior - disse o diretor. - Como todos sabem, a escola mágica Seven Stars é uma das melhores escolas mágicas do mundo. Vocês irão aprender aqui tudo o que precisam para conseguirem envergar pela carreira que desejarem. Se vão ter sucesso ou não, depende de vocês.

A maior parte dos alunos ouvia atentamente o diretor, quase sem pestanejarem. Shawn revirou os olhos, pois até ali o discurso não parecia muito diferente do discurso do ano anterior. Lianna tirou um pequeno espelho da mala e ajeitou o cabelo. Madison, por seu lado, estava realmente atenta.

- Como é costume todos os anos, quando saírem daqui verão que no hall está a lista das turmas, os horários, bem como a lista de quem ficará em cada casa e com quem, para os alunos que irão residir na escola. Espero que aprendam a colaborar com os vossos novos companheiros de casa, porque vão precisar. E é sempre importante ter amizades e conhecimentos - disse o diretor. - Não esquecer que é muito importante cumprirem as regras da escola, que estão afixadas no hall de entrada. Nada de utilizar feitiços ou qualquer outro tipo de coisas para atacar, magoar, ferir ou causar qualquer tipo de dano a outro aluno, professor ou funcionário da escola. E agora, não vou prolongar mais este meu discurso. Boa sorte a todos. Amanhã começam as aulas e quero-vos todos empenhados.

Os alunos bateram palmas enquanto o diretor saía do palco e de seguida começaram todos a sair em direção à porta. Madison achara o discurso muito curto, mas talvez não houvesse muito mais a dizer, pelo que não valia a pena prolongar a estadia dos alunos ali. Lianna ia resmungando.

- Porque é que temos de vir para aqui, num dia chuvoso e nada agradável, para ficarmos à espera durante imenso tempo para ele dizer meia dúzia de palavras e se ir embora? Não havia nenhuma necessidade. Este diretor é um chato do pior - disse ela.

Camilla acenou afirmativamente com a cabeça, em concordância. Ao entrarem novamente no hall, os alunos espalharam-se para irem ver a lista das turmas, os horários e a lista das casas e dos seus habitantes. Madison e Justin decidiram ir ver a lista das turmas e os horários primeiro. Os dois verificaram que tinham ficado na mesma turma, a turma A do quarto ano. A escola mágica tinha cinco anos para depois ser feita a graduação. Aurea, a jovem de cabelos ruivos, estava agora perto deles, a ver a lista das turmas. Havia apenas quatro turmas para cada ano na escola e cada uma era normalmente constituída por vinte alunos. A escola poderia ter mais, mas preferia admitir menos alunos, criando menos turmas e mais pequenas para que o ensino fosse de melhor qualidade e os professores pudessem ajudar com facilidade todos os alunos a seu cargo.

- Parece que vamos ficar na mesma turma e também partilhar a mesma casa, já que na minha visão vi isso - disse Justin, sorrindo a Madison.

- Sim, parece que sim - disse Madison, olhando agora para o horário. - Hum, vamos ter aulas interessantes. Na minha escola anterior, não tínhamos algumas destas disciplinas.

- Eu pessoalmente gosto bastante da disciplina de encantamentos - disse Justin, virando-se de seguida para Aurea. - Olá Aurea. Já viste que ficámos na mesma turma este ano?

- Sim, já reparei - respondeu Aurea, numa voz calma e contida.

- Espero que assim possamos tornar-nos amigos. Afinal, entrámos na escola no mesmo ano, já estamos a entrar no quarto ano e não nos conhecemos assim tão bem e…

- Acho melhor que te mantenhas afastado de mim, sinceramente - disse Aurea.

- Pronto, também não precisas de ficar aborrecida…

- Acredita, não tenho nada contra ti e o problema não é teu. Sou mesmo eu.

Sem mais dizer, Aurea afastou-se em direção às listas das casas. Justin e Madison entreolharam-se. Justin suspirou, esperando que a sua abordagem pudesse ter sido recebida de forma um pouco diferente.

- Coitada, ela parece algo abatida - disse Madison.

- Sempre me lembro dela assim. Calada e parece que afasta as pessoas. Não é que seja mesmo má pessoa, mas… não sei, não gosta que se aproximem dela - disse Justin. - Ouvi uns rumores que tem a ver com a habilidade dela. A Aurea tem a habilidade de aumentar a temperatura e pode criar chamas apenas com o poder da mente.

- Hum… será que por causa disso tem medo de magoar as pessoas? - perguntou Madison. - Já ouvi algumas histórias de habilidades perigosas para outras pessoas e isso faz com que as pessoas que as têm se afastem dos outros…

Madison não terminou a frase, pois foi empurrada para o lado por Shawn, que lhe deu um encontrão e se aproximou das listas das turmas. Madison estava no seu caminho e em vez de Shawn lhe pedir licença, empurrara-a, como se ela não fosse nada. Não se preocupava realmente com os outros ou pelo menos, deixara de o fazer nos últimos tempos.

- Ei, cuidado - queixou-se Madison.

Shawn olhou-a, avaliando-a. Não era de todo feia, mas também não parecia muito interessante. Não a reconhecia, pelo que devia ser nova na escola, mas não lhe despertava qualquer interesse. Lançou-lhe um olhar de desdém. Depois passou os olhos por Justin e respirou fundo, antes de voltar a olhar para Madison novamente.

- Estavas no meu caminho - disse ele, simplesmente.

- E tu não podias pedir delicadamente para ela se afastar, pois não, Shawn? - perguntou Justin, zangado. - Tens sempre de estar a aborrecer os outros.

- Ora, cala-te. Isto não tem nada a ver contigo.

Justin cerrou os punhos, zangado. Shawn lançou um breve olhar à lista das turmas e suspirou mais uma vez, perante a informação que estava lá escrita. Não gostava do facto de ter ficado naquela turma.

- Que azar o meu. Parece que voltámos a ficar na mesma turma outra vez - disse ele, lançando um olhar a Justin. No ano anterior, tinham ficado em turmas diferentes, enquanto no primeiro e segundos anos tinham pertencido à mesma turma. – Eu devia poder escolher não ficar na mesma turma do que tu. Não quero conviver contigo.

- Pois eu digo o mesmo - disse Justin.

Os dois ficaram a encarar-se, enquanto Madison não sabia o que dizer ou fazer. Parecia que nenhum gostava muito um do outro. Claro que Madison já tivera colegas de quem não gostara muito, mas parecia que entre aqueles os dois, era algo mais profundo. Nesse momento, Nicholas aproximou-se deles.

- É aqui que estão as listas das turmas do quarto ano? Ando à procura delas, mas ainda só vi as listas dos dois primeiros anos - disse o rapaz. – Então, é aqui?

- As listas são as que estão afixadas aqui, sim - disse Madison, apontando para elas.

Nicholas avançou para ver as listas. Shawn virou costas e afastou-se. Justin respirou fundo, tentando acalmar-se. A forma como Shawn se comportava deixava-o irritado com ele e Shawn parecia ter ficado pior, com a passagem do tempo.

- Hum, turma A do quarto ano - disse Nicholas.

- Nós também vamos ficar nessa turma - disse Justin. Nicholas olhou para ele. - Eu chamo-me Justin e esta é a Madison.

- Ah, hum, ok, estamos num momento de apresentações, ao que parece. Muito bem. Eu sou o Nicholas - disse ele. - Já agora, sabem onde é que estão também as listas das casas? Este hall é grande e tem montes de coisas. Não sei onde fica nada.

- Nós também vamos ver a lista das casas, portanto podes vir connosco, se quiseres - disse Justin.

Nicholas acenou afirmativamente e seguiu Justin e Madison, enquanto Lianna e as suas duas amigas se aproximavam da lista das turmas. Ficaram contentes por terem ficado todas juntas na turma A do quarto ano, além de já terem verificado que iam também ficar a viver na mesma casa. Entretanto, Justin, Madison e Nicholas já estavam a aproximar-se das listas das casas.

- Como é que é esta escola? - perguntou Nicholas, olhando para Justin e Madison. - A minha escola antiga era um aborrecimento. Havia imensas coisas sem interesse. Nem aprendíamos grandes feitiços.

- Eu já frequento a escola há três anos, este será o quarto e gosto bastante. Aprendemos imensas coisas úteis e feitiços interessantes. É das melhores escolhas de magia que existem, a par da escola mágica de Magicville - disse Justin. - Vais ver que vais gostar.

Os três começaram a ver a lista das casas. Foi Madison que encontrou o seu nome primeiro, na casa número sete. Justin aproximou-se rapidamente dela e viu que o seu nome também estava ali escrito. Depois, chamou a atenção de Nicholas e ele aproximou-se.

- Ok, o meu nome também está aqui - disse Nicholas. - Portanto, parece que vamos ser os três companheiros de casa e de turma.

- Sim. Nós e a Aurea - disse Justin, abanando a cabeça. - E o Cedric. O Cedric é um rapaz que anda numa turma um ano abaixo de nós. É simpático, pelo que sei dele. Ao menos não ficámos com o Shawn na mesma casa. Ele é do piorio.

Quando os alunos começaram a sair da escola, a chuva tinha parado. A maioria dos alunos ficaram surpreendidos, porque ainda algum tempo antes estava a chover torrencialmente, mas deduziram, com razão, que os professores tinham realizado um feitiço para a chuva parar e os alunos se poderem instalar calmamente nas suas casas, em vez de andarem a correr de um lado para o outro por causa da chuva.

Justin, Madison e Nicholas decidiram ir juntos para a casa número sete, já que nem Madison, nem Nicholas conheciam nada da escola, portanto Justin iria guiá-los. Os três desceram parte da colina e foram em direção à zona das casas. Todas as casas pareciam ter tamanho médio, apesar do interior ser grande. Todas tinham um pequeno jardim e estavam mais ou menos alinhadas. Uma pequena estrada alcatroada passava pela frente das casas. Pouco depois, chegaram à casa número sete, que estava pintada de azul claro.

- Não é a melhor cor para uma casa, sinceramente, mas é melhor do que nada - disse Nicholas. - Eu teria pintado a casa de vermelho.

- Hum, não sei se isso ficaria muito bem - disse Madison, sorrindo ligeiramente.

Os três avançaram para a porta da casa e entraram. Enquanto isso, Lianna, Camilla e Margot estavam a caminhar, em direção à casa onde iriam ficar, a casa número oito. Nunca tinham ficado naquela casa, mas não era realmente difícil de encontrar e era impossível perderem-se visto que só havia uma rua de casas.

- Não é aquela casa pintada de amarelo? - perguntou Lianna. - É tão feia. Deviam deixar-nos pintá-la com magia, da cor que quiséssemos.

- É verdade. Tens toda a razão - concordou Camilla. – Amarela é uma cor que não fica nada bem na casa. Mais valia ser branca e simples.

Pouco depois, as três chegaram à casa número oito, que estava efetivamente pintada de amarelo e ficava mesmo em frente à casa número sete. Lianna torceu o nariz e suspirou. Pensou para si mesma que os pais eram uns chatos, por não a deixarem alugar uma casa ou um apartamento fora da escola.

- Vamos lá meninas, a bem ou mal vamos ter de fazer desta casa o nosso lar nos próximos meses - disse ela. – E aturar o que quer que apareça aí como colegas de casa. Haja paciência.

As três avançaram para a casa e entraram pela porta da frente.

Magia Minha

A sala era grande, mas estava quase praticamente na penumbra. Uma janela, entaipada, deixava entrar alguns raios de luz. Ao fundo da sala, havia uma poltrona, grande, cinzenta escura. Sentada nessa poltrona estava uma figura, vestida de preto, da cabeça aos pés, ocultando assim a visão das suas formas. Era a figura de um homem. Ele bateu o pé, parecendo aborrecido por estar à espera. Das sombras, materializou-se um homem alto, de cabelo azul.

- Finalmente voltaste, Drake - disse o homem, numa voz acentuada e profunda. - Que novidades me trazes?

- Os alunos já se estão a instalar nas suas casas - respondeu o homem de cabelo azul, Drake.

- Ótimo. Iremos então prosseguir com o meu plano. Em pouco tempo, quero destruir a escola de magia, mas vamos começar com um teste. Quero que envies um monstro para atacar as casas e os alunos. Quero estragos - disse o homem. O seu nome era Bernard e a fúria que sentia percorria-lhe todo o corpo. - O monstro servirá como exemplo e como o primeiro passo no plano.

- Como queiras. Farei o que pretendes, mas espero que isso resulte - disse Drake, mas não estava muito confiante. Bernard era poderoso, mas não percebia muito de monstros, pelo menos não em comparação com Drake. – Mais alguma coisa?

- Sim, é melhor que faças isso apenas à noite. Vai apanhar todos desprevenidos e sendo de noite, o caos irá instalar-se mais depressa e a visibilidade será menor. Vão tentar destruir o monstro, mas espero que ele dê luta.

Drake acenou afirmativamente e voltou a desaparecer nas sombras. Tinha de ir escolher um monstro e seguir as instruções. Não podia falhar, nem queria. Bernard tinha um plano para destruir a Escola Mágica Seven Stars e não iria desistir dele. Drake era seu aliado e planeava contemplar a ruína da escola, junto de Bernard.

Magia Minha

Por essa altura, Justin, Madison e Nicholas estavam já a ver o interior da casa número sete. Todas as casas eram similares. A entrada dava para a sala de estar e havia uma porta que dava para cozinha. Havia também um corredor para lá da sala de estar que dava outro acesso à cozinha, uma dispensa, uma pequena sala de arrumações, uma casa de banho e uma sala pequena e outra maior, que depois eram utilizadas de maneira diferente pelos habitantes de cada casa. No primeiro piso da casa, situavam-se seis quartos e duas casas de banho, bem como uma passagem para uma varanda de tamanho médio, que dava para as traseiras da casa.

Os três viram a casa de uma ponta a outra. Justin já conhecia as casas, mas não se importou de mostrar tudo aos outros dois. Quando terminaram, voltaram à sala de estar e encontraram lá Aurea, que acabara de chegar naquele momento. A sala era grande, com dois sofás, dois puffs a um canto, algumas prateleiras com livros, uma televisão, uma lareira, um móvel, uma mesa e algumas cadeiras. Aurea olhou para os outros e parecia disposta a retirar-se para outra divisão, mas Nicholas avançou para ela.

- Então, tu também vens viver para aqui? - perguntou ele. - O Justin mencionou uma tal Aurea. És tu?

- Sim, sou eu - respondeu ela, olhando para Nicholas com alguma desconfiança.

- Eu chamo-me Nicholas - disse ele. - Já estivemos a ver os quartos e eu já decidi qual é que quero para mim. Espero que não haja problema contigo se ficar no quarto da esquerda, ao fundo do corredor.

- Hum, é-me igual, faz como quiseres - respondeu Aurea.

Nicholas pareceu satisfeito com a resposta e depois virou-se para Justin, que ficara parado ao lado de Madison.

- Vocês também têm alguma objeção à minha escolha de quarto? - perguntou Nicholas. Os dois acenaram negativamente. - Muito bem. Mas então e as malas? Não temos aqui nada nosso. Na minha outra escola nós levávamos as malas, mas aqui disseram para as deixarmos na portaria.

- Oh, elas chegam sozinhas, não te preocupes. Daqui a algum tempo, elas são reencaminhadas para aqui com magia. Surgem aqui na sala - explicou Justin. - Depois é só levarmos as malas para os quartos.

- Ah, ok, já é um ponto positivo para esta escola, que utiliza a magia e não o esforço de braços dos alunos. Só por isso, já estou a gostar - disse Nicholas. - Agora se calhar vou comer alguma coisa, porque estou com fome.

- Vou contigo - disse Justin.

Nicholas e Justin dirigiram-se à cozinha, enquanto Aurea começou a andar em direção às escadas que existiam no lado direito da sala de estar e que levavam ao primeiro andar. Madison aproximou-se dela antes que ela pudesse ir para outro piso.

- Olá. Ainda não fomos apresentadas. Eu chamo-me Madison - disse ela.

- Pois, prazer em conhecer-te. Agora com licença, vou até lá acima - disse Aurea, tentando avançar.

Madison colocou-se à sua frente e Aurea arqueou uma sobrancelha. Achou que a outra rapariga parecia ser muito insistente, o que era algo que não estava a apreciar.

- Desculpa se estou a ser intrometida ou te estou a aborrecer, mas percebi, quando falaste com o Justin, que não queres que as pessoas se aproximem muito de ti - disse Madison. - Pelo que percebi também, tens a habilidade de aumentar a temperatura e criares chamas.

- Parabéns, parece que sabes tudo, portanto…

- O que eu quero dizer é que vamos ser colegas de casa e gostava imenso que nos déssemos bem. Eu percebo de espaços pessoais e que por vezes gostamos de estar sós. Eu também sou assim - disse Madison. - Mas vamos ser as duas únicas raparigas na casa, vamos estar na mesma turma e… eu tenho dificuldade em fazer amigos e sou nova aqui. Seria importante se pudéssemos ser amigas uma da outra, não achas?

Aurea acenou negativamente com a cabeça. Não lhe parecia que Madison fosse má pessoa, não era isso, no entanto também não podia corresponder ao que ela queria e tinha de lho dizer.

- Lamento, mas não é possível. Estarás melhor longe de mim. Eu não tenho amigas, nem amigos, só colegas e nada mais. É o melhor para todos.

Aurea desviou-se de Madison e avançou para as escadas. Começou a subir os degraus e Madison aproximou-se das escadas também. Não percebia porque é que a outra rapariga era assim, apesar de ter uma ideia, uma suspeita.

- Aurea, algo se passou e te fez querer afastar das pessoas - disse Madison. - Eu até posso compreender isso, mas sinto que talvez te possa ajudar.

- Ninguém pode ajudar-me. Nem tu, nem outro aluno ou um professor. Ninguém. Portanto, por favor, nem sequer tentes. Agora, com licença.

Aurea desapareceu pelo piso de cima, enquanto Madison suspirava. A sua tentativa de tentar que Aurea se abrisse à ideia de poderem ser amigas tinha falhado.

- O que será que se passou com ela? - perguntou-se Madison. - Gostaria de saber. É estranho, mas sinto… algum tipo de empatia com ela e quero ajudá-la. Normalmente nem me meto muito na vida dos outros e até tenho dificuldade em abordar as pessoas, mas esta rapariga deixa-me interessada em ajudá-la. Sei que por vezes é difícil não termos ninguém com quem falar. Se desabafasse, talvez se sentisse melhor.

Madison foi distraída dos seus pensamentos quando ouviu um barulho de algo a partir-se, vindo da cozinha. Avançou para lá, encontrando Justin a abanar a cabeça, desagradado, enquanto Nicholas encolhia os ombros e no chão se via um copo partido. A cozinha tinha bastante espaço e tinha várias prateleiras, eletrodomésticos e uma mesa pequena com seis cadeiras.

- O que é que se passou aqui? - perguntou Madison.

- Queria mostrar os meus dotes com um feitiço de levitação, mas distraí-me um pouco e, bom, o copo partiu-se - esclareceu Nicholas. - São coisas que acontecem.

- E olha que eu, apesar de ter a habilidade de visões, não preciso de ter uma para dizer que a seguir vai calhar-te a apanhar os cacos e colocá-los no lixo.

- Quanto a isso, não há problema. Aliás, o que devia ter feito era usar logo a minha habilidade, em vez do feitiço de levitação.

Nicholas concentrou-se e os pedaços de vidro começaram a saltar para dentro do caixote do lixo, que estava a um canto. Depois de todos já estarem no caixote do lixo, Nicholas sorriu, orgulhoso da sua habilidade. Madison e Justin entreolharam-se, surpreendidos.

- Qual é a tua habilidade? - perguntou Justin, por fim.

- Consegues fazer os objetos flutuarem, é isso? - perguntou Madison.

- Não. Eu consigo mover objetos com o poder da minha mente. Claro que não muitos objetos ao mesmo tempo ou objetos muito grandes e pesados, pelo menos para já, mas estou a melhorar - disse Nicholas, com um sorriso no rosto. Gostava de demonstrar como conseguia fazer bem as coisas. - E hei-de mostrar que posso ter a minha habilidade mais desenvolvida que os meus irmãos.

- Irmãos? Bom, há por aí alguma rivalidade? - perguntou Justin.

- Digamos que sim. Portanto, já arrumei o que parti - disse Nicholas. Depois, dirigiu-se ao frigorifico. - Agora vou comer alguma coisa, porque estou esfomeado. Normalmente, sou uma pessoa de muito alimento.

Magia Minha

As horas passaram rapidamente. As malas apareceram na sala de estar, tal como Justin tinha dito que aconteceria e depois cada um as levou para os seus quartos. Cedric Cassidy, um rapaz de tamanho médio, com cabelo verde espetado e olhos claros, tinha aparecido mais tarde que os outros e apresentara-se a Madison e Nicholas. Cedric frequentava agora o terceiro ano e seria o quinto companheiro de casa. Como Madison e Nicholas rapidamente perceberam, Cedric era animado e adorava a natureza, além de ser vegetariano.

A primeira tarefa que o grupo tivera fora a de prepararem uma refeição em conjunto. Tinha sido ideia de Madison, em vez de fazerem um jantar para cada um. Nicholas não se mostrou muito à vontade em cozinhar, porque não sabia fazer grande coisa, mas acabou por ser convencido. Já Aurea recusou sair do quarto e os outros tiveram de cozinhar sem ela.

Depois dos quatro comerem, Madison levou um tabuleiro até ao quarto de Aurea, mas ela não quis abrir a porta, pelo que Madison deixou o tabuleiro em frente à porta e lhe disse para comer quando quisesse. Madison ficou contente por ver que, mais tarde, quando passou no corredor, o tabuleiro já lá não estava, pelo que Aurea devido ter comido.

Agora, já perto das dez da noite, Justin, Nicholas e Madison estavam sentados na sala de estar. Cedric tinha saído para ir ter com a sua amiga Deedra e irem dar uma volta. Tinham também surgido cinco chaves num chaveiro ao pé da porta e tinham sido distribuídas por todos, menos Aurea, que não saíra do quarto. A porta da casa estaria selada por magia e só com uma das chaves poderia ser aberta, para evitar roubos, que era algo que tinha acontecido no passado.

- Não há nada de mais interessante a passar na televisão? Algo com violência e sangue? - perguntou Nicholas, aborrecido, olhando para a televisão, onde estava a passar um filme romântico.

- Eu gosto muito mais de filmes românticos do que filmes com violência - disse Madison.

- Pois, pois, vocês mulheres são todas iguais - disse Nicholas, levantando-se. - Eu acho que vou dar uma volta.

- Se calhar vou fazer o mesmo - disse Justin, levantando-se também.

Madison olhou de um para o outro. Era o primeiro dia na nova escola e naquela casa, pelo que ainda não vira como seriam as coisas de noite. Não planeava ficar ali sozinha, enquanto os outros saíam todos, exceto Aurea, que se isolara. Levantou-se também.

- Posso ir com vocês? Podíamos passear os três. Pode ser? - perguntou Madison.

Nicholas não costumava gostar muito de passeios em grupo, a não ser que fossem a locais mesmo interessantes, mas encolheu os ombros, enquanto Justin concordou de imediato. Assim, os três saíram da casa. Madison sorriu ao ver que tudo à volta das casas estava bem iluminado e poderia perfeitamente passear-se de noite, sem grandes dificuldades. A lua e as estrelas brilhavam no céu, que agora não tinha nuvens, apesar de ter chovido de tarde.

- De noite, é tudo bonito por aqui - disse Madison, olhando à sua volta. – Quer dizer, de dia também, mas há noite… fica tudo mais mágico.

Havia alguns outros alunos a passearem também, conversando entre si, se estavam em grupo ou outros que iam caminhando sozinhos e silenciosos. Os três começaram a caminhar, quando Justin parou de repente, respirando fundo. Madison e Nicholas deram alguns passos, antes de pararem e olharem para trás. Justin estava quieto e parecia estar a olhar para nenhum ponto específico, tendo os olhos arregalados.

- Justin? Ei, Justin, estás a ouvir-me? - perguntou Madison.

- Tu estás bem? Estás a sentir-te mal ou quê? Eu não me estou a lembrar de nenhum feitiço de cura agora, portanto vê lá se não te dá uma coisa má - disse Nicholas, aproximando-se de Justin.

Justin piscou então os olhos, regressando à realidade e olhou de Nicholas para Madison. Os seus olhos exibiam agora algum medo e a expressão na sua cara também.

- Pessoal, acabei de ter uma visão - disse ele. Por vezes, ficava algo confuso depois de ter uma visão, mas agora estava bastante alerta. - Um monstro. Vem aí um monstro. Temos de sair daqui rapidamente.

Antes que qualquer um deles pudesse fazer alguma coisa, começaram a ouvir-se gritos mais para o fundo da rua. Os três olharam para lá, vendo alunos a correr e que um monstro com pele verde escura, asas bastante grandes e dois cornos na cabeça estava a voar no ar. O monstro lançou uma onda de energia negra, que deitou duas alunas ao chão e lançando uma nova onda de energia, destruiu um bocado do telhado de uma das casas. Madison soltou um grito abafado.

- Um monstro? Aqui na escola? - perguntou ela.

- Vamos voltar para a casa rapidamente - disse Justin. - Temos de nos abrigar, antes que o monstro nos ataque.

Os três começaram a recuar em direção à sua casa, mas o monstro já se aproximava a voar e lançou-lhes uma onda de energia, que os apanhou desprevenidos e atirou os três ao chão. Depois, o monstro lançou uma nova onda de energia, criando um buraco no meio do chão, enquanto Nicholas, Justin e Madison se levantavam. Nicholas parecia bastante zangado.

- Como é que este monstro se atreve a atacar-nos? Já vai ver - disse ele.

Nicholas concentrou-se num caixote de papéis que havia no outro lado da rua e conseguiu movê-lo com a mente, fazendo-o embater no monstro. O monstro soltou um grunhido, mas não pareceu muito afetado, apesar de lançar um olhar raivoso a Nicholas. Estivera a atacar ao acaso, mas agora encontrara um alvo específico.

- Ups, acho que fiz asneira - disse o rapaz, engolindo em seco.

O monstro lançou uma nova onda de energia contra os três, mas Madison pôs-se à frente deles e ergueu os braços. Um escudo de energia surgiu e a onda de energia embateu nele. Apesar disso, com o impacto, os três ainda deram uns passos atrás, mas não tinham ficado feridos. Enquanto isso, os alunos que estavam na rua continuavam a correr e a gritar, fugindo do monstro. Lianna surgiu à porta da casa número oito, pronta a reclamar por estarem a fazer tanto barulho, mas quando viu o monstro ali tão perto, arregalou os olhos e fechou a porta de imediato.

O monstro lançou três ondas de energia contra Nicholas, Madison e Justin. Madison conseguiu deter uma delas, Nicholas desviou-se de outra, mas Justin já não teve tanta sorte. A onda de energia embateu nele e Justin fora atirado contra a parede da casa, gemendo de dor após o embate. Madison correu rapidamente para ele.

- Justin, estás bem? - perguntou ela, aflita.

- Não, mas temos de sair daqui - respondeu Justin, levantando-se com dificuldade.

O monstro tinha definitivamente ficado aborrecido com Nicholas e estava disposto a destrui-lo a ele e também a quem estivesse por perto. Nicholas fez voar outro caixote do lixo, que embateu na cabeça do monstro, abrandando-o um pouco, mas logo de seguida o monstro lançou várias ondas de energia. Nicholas chegou-se para Madison e Justin. Madison ergueu um escudo de energia para parar as ondas e conseguiu retê-las, mas por pouco.

- Não aguento muito mais - disse ela, ofegante.

- Não era assim que eu me imaginava a morrer - disse Justin. - E nem sequer consegui prever isto com antecedência…

O monstro grunhiu e preparou-se para lançar mais ondas de energia. Apesar de haverem alunos a correr, ninguém parava para os ajudar. Quando o monstro se preparava para atacar novamente, a porta da casa abriu-se e Aurea saiu. Tinha uma expressão muito séria. Olhou para Justin, Nicholas e Madison e depois para o monstro. Deu alguns passos em frente e encarou a besta voadora.

- Deixa-os em paz! - gritou Aurea.

De seguida, os seus olhos ficaram vermelhos e o cabelo começou a ondular. O monstro fitou-a, preparando-se agora para a atacar a ela, mas soltou um rugido quando o seu corpo começou a aquecer muito. No momento seguinte, o monstro tinha irrompido em chamas, lançando gritos de agonia. Madison arregalou os olhos, surpreendida. O monstro caiu ao chão e as chamas envolveram-lhe o corpo, carbonizando-o. Depois, apagaram-se e as coisas ficaram mais calmas. Os alunos pararam de gritar e correr e ficaram a olhar para o corpo do monstro, agora morto.

- Está morto - disse Justin, suspirando, aliviado.

Madison caminhou até ficar ao lado de Aurea. Os olhos de Aurea tinham voltado à sua cor normal e o cabelo também já não ondulava. Aurea continuava com uma expressão séria no rosto. Enquanto estava em casa, ouvira barulho. Espreitara por algumas janelas e vira o monstro a atacar os três, portanto decidira agir, antes que fosse tarde demais.

- Tu salvaste-nos - disse Madison. - Muito obrigada. O monstro ia matar-nos.

- Eu… não ia deixar que ele vos magoasse e matasse - disse Aurea, trocando um olhar com Madison.

- Ficamos-te muito gratos.

Aurea acenou com a cabeça lentamente e depois virou costas e voltou à casa. Não queria que ficassem a olhar para ela, pois isso deixava-a embaraçada. Nicholas não lhe disse nada enquanto ela passava e desaparecia pela porta.

- Parece que temos entre nós alguém com uma grande habilidade - disse ele. - Conseguiu matar o monstro sozinha. Aliás, sozinha não, com uma ajuda minha.

- Grande ajuda, teres-lhe atirado com dois caixotes do lixo - disse Justin, revirando os olhos. – Agora, temos de avisar alguém da escola sobre isto. Aliás, com todo este alvoroço, já devem saber.

Madison olhou para o corpo do monstro e sentiu um arrepio na espinha. Nunca tinha visto nenhum monstro ao vivo, apesar de saber da existência deles e se não fosse Aurea, provavelmente estaria agora muito magoada ou morta. Nicholas abanou a cabeça.

- Eu pensava que talvez esta escola fosse muito aborrecida, como a minha escola anterior - disse ele. - Afinal parece que estava enganado.

Continua…

E assim começa a história. Os alunos estão prestes a começar as aulas, mas Bernard quer ver a escola destruída e irá criar planos para que tal aconteça. No próximo capítulo, acontecerá um conflito entre estudantes e os companheiros de casa de Aurea tentarão que ela se junte mais ao grupo.